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Lúpus: Quais os sintomas e como tratar?

Lúpus no adulto

As doenças autoimunes são geralmente mais difíceis de diagnosticar e o lúpus não é exceção.

Esta doença inflamatória crónica e autoimune evolui por surtos ou crises, podendo atingir diferentes órgãos e as articulações.

Embora qualquer género possa ser afetado, atinge 8 a 10 vezes mais as mulheres e pode ter início em qualquer idade, mas predomina na idade fértil das mulheres, por volta dos 30 anos.

Quando há casos de doenças autoimunes na família, como a Síndrome de Sjögren ou a Síndrome de Hughes, os restantes familiares têm uma maior probabilidade de desenvolver lúpus, embora não seja uma doença hereditária.

Cerca de 60-70% das pessoas com Lúpus têm lesões na pele, estas lesões cutâneas podem ter formas e padrões específicos para cada indivíduo.

Saiba mais sobre Lúpus, os sintomas e como pode ser tratado, neste artigo.

O que é o Lúpus?

O Lúpus é uma doença autoimune, inflamatória e crónica. Embora possam existir, no decurso da patologia, fases de remissão, em que a doença não se manifesta e fases de surto, em que há uma reativação de sintomas.

A inflamação provocada por esta patologia pode afetar diversos órgãos e tecidos no organismo como as articulações, pele, rins e cérebro. Quase sempre acompanhado de um quadro geral de febre, cansaço e dor ou incómodo nas articulações.

Esta patologia é designada também como Lúpus Eritematoso Sistémico (LES), por afetar vários órgãos e também por causar eritema da pele, sendo este o tipo mais comum da doença.

No entanto, existem formas muito variadas de manifestação da doença, onde os sintomas são muito diferentes de doente para doente, ou em diferentes períodos de tempo.

Tipos de Lúpus

Lúpus Discóide

Neste caso a inflamação ocorre apenas na pele, manifestando-se por lesões avermelhadas que aparecem no rosto, nuca ou couro cabeludo.  Este tipo pode evoluir para um lúpus sistémico.

Lúpus Sistémico

É o tipo de lúpus mais comum e os sintomas podem ser mais ou menos graves. A inflamação ataca vários órgãos e os sintomas variam conforme os órgãos que são mais afetados.

Lúpus induzido por medicamentos

Alguns medicamentos ou substâncias podem provocar uma inflamação no organismo que origina sintomas similares ao lúpus sistémico. No entanto, esta situação é temporária.

Lúpus do recém-nascido

Este é um tipo de lúpus raro que ocorre por vezes em bebés de mulheres que têm a doença. Os anticorpos das mães afetam o feto no útero, o que leva os bebés a terem erupções cutâneas e níveis reduzidos e células sanguíneas, quando nascem. Mas, estes sintomas tendem a desaparecer em poucos meses.

Quais as causas do Lúpus?

Não existe uma causa específica conhecida para o aparecimento do lúpus, exceto no lúpus causado por medicamentos ou nos recém-nascidos. Esta doença é desencadeada pelo próprio sistema imunitário do doente, que ataca e destrói as células e os tecidos saudáveis do organismo.

O que se sabe até ao momento é que as causas advêm de um conjunto de situações que predispõem o indivíduo para desenvolver a doença e estas condições estão relacionadas com fatores de ordem genética, infeciosa, hormonal e ambiental.

Estes fatores vão precipitar os sintomas da doença, levando à sua manifestação no organismo. Os fatores podem ser internos, relativos ao próprio indivíduo, como no caso das causas genéticas, infeções, stress, cansaço etc., ou externos como no caso do excesso de luz solar ou luz ultravioleta.

Podemos assim agrupar um conjunto de fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da doença ou para o surgimento de um surto:

  • Luz solar: a exposição à luz solar pode agravar uma inflamação já existente no organismo e assim contribuir para o desenvolvimento da doença.
  • Infeções: a predisposição genética para a doença, por exemplo, pode levar a que uma simples infeção desencadeia um surto ou o desenvolvimento de lúpus.
  • Utilização de determinados medicamentos: alguns medicamentos como antibióticos ou fármacos para convulsões podem desencadear lúpus.
  • Género: esta doença é mais comum nas mulheres do que nos homens.
  • Idade: apesar de a patologia se puder manifestar em qualquer idade, há uma maior predominância de casos entre os 15 e os 40 anos, com maior incidência por volta dos 30 anos.
  • Etnia: o lúpus parece atingir mais as pessoas de origem hispânica, afro-americana e asiática.

Qual é o tratamento para o Lúpus?

A evolução da doença tem uma certa imprevisibilidade que pode passar de um estado pouco grave para complicações mais sérias caso não haja um tratamento adequado.

O principal objetivo do tratamento é evitar que os órgãos vitais sejam atingidos e neutralizar ou controlar os sintomas. A abordagem terapêutica é multidisciplinar e inclui a utilização de medicamentos, exercícios, repouso em conjunto com a dieta e a gestão do stress.

Os fármacos são utilizados, sobretudo nas formas mais graves da doença e podem ser alterados no decurso do tratamento e com a evolução da enfermidade. Este tipo de tratamento necessita de um acompanhamento médico regular, já que o não cumprimento das prescrições pode levar ao agravamento e só o médico poderá realizar os ajustes necessários das doses e da duração da toma.

Os medicamentos mais usados são:

  • Anti-inflamatórios: diminuem a inflamação e ajudam a atenuar a dor e estão indicados nos casos de dores articulares e febre.
  • Antimaláricos: ajudam a estabilizar o sistema imunitário, ajudam a estimular a resistência à exposição solar.
  • Corticóides: são usados nas formas mais graves da doença e ajudam a criar uma potência extra do sistema imunitário para criar defesas.
  • Imunossupressores: estes medicamentos enfraquecem o sistema imunitário para que este não possa atacar o organismo, diminuindo assim a resposta inflamatória autoimune que o lúpus provoca.
  • Imunoglobulinas: são medicamentos usados como último recurso e quando as outras terapêuticas não funcionam.
  • Medicamentos biológicos: são medicamentos resultantes de engenharia genética e são produzidos a partir de células vivas.

O tratamento inclui também a atenção dada ao equilíbrio entre atividade e repouso que é essencial para um bom controle da doença, especialmente quando ocorrem surtos. 

Devem ser mantidos períodos de repouso e sono reparador e se necessário diminuir a atividade laboral ou diária. Por outro lado, é importante manter uma atividade com exercício físico, sobretudo nos períodos em que a doença não está ativa e nos surtos para evitar a rigidez e fraqueza muscular e melhorar o sistema imunitário e o bem-estar mental. 

A fisioterapia e a natação podem ser também boas opções para ajudar a diminuir a inflamação.

Outro elemento a ter em conta no tratamento é a dieta. Uma boa gestão das quantidades de proteína e sal e a suplementação com cálcio e vitamina D, e uma dieta, em geral equilibrada com bastantes vegetais, frutas e poucas gorduras, são essenciais para o sucesso do tratamento.

Os cuidados com a exposição solar, especialmente os raios ultravioleta, quer sejam do sol ou artificiais, que podem desencadear surtos na pele ou noutros órgãos, é de extrema importância. Assim, é essencial a utilização de protetor solar com fator acima de 15 em todas as atividades ao ar livre, especialmente no verão, mas também no inverno, bem como a utilização de vestuário adequado que cubra o corpo e permita a ventilação.

Por último, a gestão do stress é outro fator importante no tratamento. Se necessário deverá ser feito um ajuste ao horário laboral para evitar o acumular de stress e nos casos em que o stress é inevitável, encontrar formas mais eficazes de repousar e utilizar técnicas de relaxamento é essencial.

Quais os sintomas do Lúpus?

Os sintomas podem ter um desenvolvimento lento ou surgir de repente, temporários ou permanentes e mais ou menos graves, podendo variar também de acordo com a o órgão ou parte do corpo que é afetada.

Na maior parte dos casos, os sintomas são moderados que surgem em surtos, onde durante um tempo se tornam mais graves e depois entram em remissão.  

Os sintomas, nem sempre aparecem todos ao mesmo tempo e no mesmo doente e podem manifestar-se por:

  • Cansaço
  • Perda de apetite
  • Manchas vermelhas ou rosadas na pele da cara, pescoço ou braços em forma de borboleta
  • Manchas vermelhas ou rosadas na pele em forma de disco que fazem lesões na pele
  • Excessiva sensibilidade à luz solar (fotossensibilidade)
  • Mudança de cor nas mãos ou pés que se tornam brancos ou azulados quando está frio ou quando existem emoções fortes
  • Queda de cabelo
  • Feridas na boca ou nariz
  • Dores nas articulações: sobretudo nas mãos, joelhos, punhos, tornozelos e anca
  • Vermelhidão nas articulações acompanhada de calor ou rigidez e dificuldade de movimento
  • Inflamação nos pulmões (pleura)
  • Inflamação do revestimento do coração
  • Problemas de funcionamento dos rins
  • Inchaço das mãos, face e pés
  • Febre
  • Dificuldade para respirar
  • Dor no peito ao inspirar profundamente
  • Dor de cabeça ou confusão mental
  • Ansiedade
  • Convulsões
  • Depressão
  • Palpitações
  • Anemia
  • Aumento da frequência de infeções
  • Nódoas negras que aparecem facilmente
  • Problemas de visão
  • Alterações de personalidade
  • Dor abdominal, náuseas e vómitos
  • Arritmia

Como é feito o diagnóstico?

Estabelecer um diagnóstico para lúpus pode ser muito difícil, dado que há uma grande variação de sintomas de pessoa para pessoa e podem mudar, sobrepor-se ou confundir-se com sintomas de outras doenças.

O diagnóstico tem geralmente por base a informação clínica e laboratorial, e é a combinação dos resultados da observação clínica com os resultados dos testes sanguíneos e de urina que dão origem ao diagnóstico.

Alguns exames complementares podem ser necessários como, testes de anticorpos antinucleares, radiografia ao tórax, análise à urina e biópsia renal.

Quais as complicações?

As complicações podem surgir por falta de tratamento ou por tratamento inadequado. Como a doença pode afetar vários órgãos, as possíveis complicações irão afetar esses órgãos também.

A falência dos rins, mudanças de comportamento, alucinações, convulsões, surgimento de anemia, problemas nos pulmões, e problemas cardíacos com risco aumentado de enfarte, são algumas das complicações graves que podem surgir.

A doença comporta ainda outros riscos colaterais como a maior probabilidade para o desenvolvimento de infeções, como infeções urinárias, por exemplo, tumores e problemas de ossos.

O Lúpus tem cura?

Até ao momento ainda não foi estabelecida uma cura para a doença. No entanto, com os tratamentos disponíveis uma grande parte dos doentes consegue alcançar uma boa qualidade de vida.

Como podemos prevenir o Lúpus?

O lúpus não é uma doença contagiosa, dado que ela surge dentro do próprio sistema imunitário do indivíduo, logo não há forma de a prevenir.  No entanto, alguns cuidados extra são essenciais para gerir e ajudar o tratamento.

Bastante repouso, evitar a excessiva exposição solar, evitar o consumo de tabaco, manter uma dieta equilibrada e rica em cálcio, e exercícios físicos regulares, bem como a psicoterapia, são alguns dos cuidados que podem ajudar o doente a ter uma maior qualidade de vida.

Os doentes que já têm a patologia podem também fazer uma prevenção da ocorrência de surtos da doença, embora estes possam surgir mesmo com as medidas preventivas:

  • Fazendo consultas de rotina para verificar sintomas e reajustar tratamento caso seja necessário
  • Evitar situações de stress
  • Uso de protetores solares e evitar excesso de exposição solar
  • Evitar exposição a luz intensa ou ultravioleta
  • Adotar medidas de repouso adequado
  • Tratar infeções de forma rápida
  • Evitar contracetivos ou terapia hormonal

Conclusão

Para quem tem lúpus, a situação da sua doença pode causar muita frustração, porque o diagnóstico não é fácil de alcançar e pode passar muito tempo até a patologia ser corretamente identificada no doente.

As dificuldades de viver com a doença aumentam também o risco de depressão ou outros problemas de saúde mental, como a ansiedade, stress e baixa autoestima.

Assim é importante que a pessoa com lúpus aprenda o máximo que conseguir sobre a doença, falando com o médico ou com outros doentes que tenham a doença.

É importante ter um sistema de apoio com familiares e amigos que possam ajudar quando ocorrem surtos ou perceber o que se passa quando outros sintomas, como o cansaço ou a depressão se manifestam.

A gestão do stress e dos tempos de repouso é essencial para um controle eficaz dos sintomas e dos possíveis surtos, aplicando técnicas de relaxamento, tendo uma dieta equilibrada e evitando os fatores que despoletam surtos como a exposição solar, por exemplo.

Por último, entrar em contacto com a comunidade de doentes com lúpus, quer online quer na comunidade, é uma via fundamental para lidar melhor com a doença, porque o contacto com pessoas que passam pelos mesmos desafios, pode oferecer conforto.

Nos centros Mais que Cuidar pode encontrar uma gama completa de produtos e serviços  que dão uma ajuda importante no apoio e no conforto em casos de lúpus e dos sintomas associados, prestando cuidados de saúde ao domicílio (apoio domiciliário, fisioterapia, enfermagem) e produtos de apoio para comprar ou alugar.

Os nossos profissionais de saúde e mobilidade ajudarão a encontrar as melhores soluções para a sua situação clínica. Temos ao seu dispor uma linha de apoio de enfermagem 24h/dia 365 dias do ano.

Na Mais que Cuidar poderá contar também com o apoio do médico fisiatra através da consulta ao domicílio ou da teleconsulta.

Referências:

*Atenção: O Blog Mais que Cuidar é um espaço informativo, de divulgação e educação sobre temas relacionados com saúde e bem-estar, não devendo ser utilizado como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde.

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