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Encefalopatia hepática: o que é, sintomas e tratamento

Encefalopatia hepática: o que é, sintomas e tratamento

Em Portugal morrem cerca de 2500 pessoas por causa de doenças do fígado. Na maior parte das vezes o consumo excessivo de álcool, a presença de hepatite C e a obesidade, são as principais razões para esta situação.

As doenças do fígado mais comuns são a cirrose e o cancro do fígado. Estima-se que em Portugal possam haver milhares de pessoas com cirrose hepática, que não sabem que têm a doença, já que é uma doença que se pode prolongar por muitos anos sem apresentar qualquer sintoma.

A cirrose é uma acumulação de tecido cicatricial no fígado. Esta cicatriz bloqueia o fluxo sanguíneo e afeta a capacidade do fígado de filtrar toxinas, hormonas e nutrientes.

As doenças que afetam o fígado podem provocar alterações cerebrais que resultam em distúrbios neuropsiquiátricos, acabando por ocorrer uma encefalopatia hepática.

Até 50% das pessoas com cirrose hepática acabam por desenvolver sintomas de encefalopatia hepática.

O que é a encefalopatia hepática?

A encefalopatia hepática é uma desordem neurológica que afeta o sistema nervoso, que é frequentemente temporária resultante de uma doença do fígado que é crónica e grave.

Numa situação de doença hepática, o organismo luta para filtrar toxinas, que são as substâncias criadas a partir da degradação dos alimentos, álcool, medicamentos e músculo, da corrente sanguínea.

Estas toxinas acumulam-se no corpo e acabam por alcançar o cérebro. A toxicidade afeta as funções cerebrais e provoca uma deficiência cognitiva.

As pessoas com encefalopatia hepática podem parecer confusas ou ter dificuldade em processar os seus pensamentos.

Os tratamentos podem remover as toxinas e reverter o problema. À medida que a doença hepática progride, a condição pode agravar-se e tornar-se menos passível de ser tratada.

A encefalopatia hepática aguda desenvolve-se a partir de uma doença hepática grave.

Esta situação ocorre principalmente em pessoas que se encontram em determinadas condições de saúde:

Hepatite viral fulminante aguda

Trata-se de um tipo grave de hepatite viral que se manifesta subitamente.

Hepatite tóxica

A hepatite tóxica pode ser causada pela exposição a álcool, produtos químicos, drogas ou suplementos.

Síndrome de Reye

Esta doença é uma condição rara e grave, sendo diagnosticada principalmente nas crianças. Provoca inchaço e inflamação súbita do fígado e do cérebro.

A encefalopatia hepática aguda pode também ser um sinal de insuficiência hepática em fase terminal.

A encefalopatia hepática crónica pode manifestar-se de duas formas:

Recorrente

As pessoas com a versão recorrente da doença, têm múltiplos episódios de encefalopatia hepática ao longo das suas vidas.

Necessitam também de um tratamento contínuo para ajudar a prevenir o desenvolvimento de sintomas.

Os casos recorrentes são geralmente vistos em pessoas que têm cirrose grave, ou com cicatrizes no fígado.

Permanente

Nos casos permanentes, que são raros, manifestam-se sobretudo em pessoas que não respondem ao tratamento e que têm condições neurológicas permanentes, como por exemplo:

  • Distúrbios convulsivos
  • Lesão da medula espinal

Quais são as diferentes fases da encefalopatia hepática?

A encefalopatia hepática pode dividir-se em fases tendo por base a gravidade dos sintomas apresentados.

As cinco fases da encefalopatia hepática são:

Etapa 0

Nesta fase, os sintomas são mínimos.

Etapa 1

Os sintomas são ligeiros. Podem incluir uma diminuição da atenção e mudanças nos hábitos de sono, tais como o excesso de sono ou a insónia.

Etapa 2

Os sintomas são moderados. Nesta fase, a pessoa afetada pode sentir-se desorientada ou letárgica.

Etapa 3

Nesta fase os sintomas são severos. A pessoa afetada não é capaz de executar tarefas básicas do dia a dia. Poderá haver também confusão mental e mudanças de personalidade.

Etapa 4

Esta é a fase mais grave da doença, em que a pessoa afetada se encontra em estado de coma.

Existem ainda três tipos de encefalopatia hepática:

Tipo A

Este tipo de doença é causado por insuficiência hepática aguda, ou seja, a doença não é crónica.

Tipo B

Neste caso, a doença ocorre em algumas pessoas que têm uma derivação que liga duas veias dentro do fígado não tendo qualquer doença do fígado associada.

Tipo C

É resultado da existência de uma doença do fígado que é crónica e com cicatrizes no tecido do órgão, na maior parte das vezes associada à cirrose.

Qual é o tratamento?

O tratamento da encefalopatia hepática varia em função dos sintomas, da gravidade da doença e da saúde em geral da pessoa afetada.

Para que o tratamento seja eficaz, é importante tomar os medicamentos exatamente como prescrito.

Com o tratamento, é possível abrandar e por vezes parar, o agravamento da doença.

Algumas componentes do tratamento incluem:

Antibióticos

As bactérias no corpo produzem toxinas naturais a partir de alimentos digeridos. Os antibióticos, páram o crescimento bacteriano associado à ingestão dos alimentos e como resultado, o corpo produz menos toxinas.

Laxantes

Alguns laxantes são feitos de um açúcar chamado lactose que atrai toxinas para o cólon. O laxante estimula movimentos intestinais frequentes que ajudam a remover as toxinas do corpo.

As pessoas com doença hepática crónica podem precisar de continuar a tratar a encefalopatia hepática para impedir que os sintomas piorem ou voltem a piorar depois de uma fase com melhorias.

É necessário consultar um médico o mais rápido possível quando se observam sinais de encefalopatia hepática pela primeira vez. A encefalopatia hepática não tratada pode piorar e aumentar o risco de complicações graves, tais como a ocorrência de coma.

As pessoas que desenvolvem uma doença hepática em fase terminal, também chamada insuficiência hepática, podem ter de considerar um transplante de fígado.

 A pessoa que poderá ser transplantada, será submetida a testes clínicos para verificar se consegue resistir a um procedimento cirúrgico tão complexo.

No entanto, o novo fígado transplantado frequentemente ajuda a erradicar a doença, dado que o órgão afetado é removido.

É possível que o tratamento implique também uma alteração de dieta. É provável que seja necessário ingerir menos proteínas se o excesso de proteínas foi a causa da doença.

Uma vez que a proteína é necessária para que o corpo funcione adequadamente, um nutricionista ou um médico podem criar uma dieta que permitirá obter proteína suficiente sem agravar os sintomas.

Os alimentos ricos em proteínas a evitar incluem:

  • Carne de aves
  • Carne vermelha
  • Ovos
  • Peixes

Os medicamentos também podem ajudar a abrandar o ritmo a que o sangue absorve as toxinas.

Nestes casos são prescritos antibióticos ou açúcar sintético. Estes medicamentos podem extrair amónia, criada por bactérias intestinais do sangue, para o cólon. Sendo depois expelidas através do cólon.

Em casos mais graves da doença que causam dificuldades respiratórias, poderá ser necessário utilizar um ventilador ou uma máscara de oxigénio.

As pessoas com encefalopatia hepática crónica têm melhores taxas de recuperação do que as pessoas com a versão aguda da doença.

A taxa de recuperação aumenta se a pessoa afetada receber tratamento antes de a doença se agravar.

Um tratamento adequado a cada caso é de extrema importância, já que isto pode ajudar a tornar os sintomas reversíveis.

O que causa a encefalopatia hepática?

A causa exata da encefalopatia hepática é desconhecida.

No entanto, a doença é normalmente desencadeada por uma acumulação de toxinas na corrente sanguínea.

Este processo ocorre quando o fígado não consegue decompor as toxinas de forma adequada.

O fígado remove químicos tóxicos como o amoníaco do corpo. Estas toxinas são deixadas quando as proteínas são metabolizadas ou decompostas para utilização por vários órgãos do corpo.

Os rins transformam estas toxinas em substâncias mais seguras que são depois removidas através da urina.

Quando o fígado é danificado, é incapaz de filtrar todas as toxinas. As toxinas podem então acumular-se na corrente sanguínea e eventualmente alcançar o cérebro. A acumulação de toxinas também pode danificar outros órgãos e nervos do corpo.

A encefalopatia hepática pode ser desencadeada por:

  • Infeções, como uma pneumonia
  • Problemas e doenças de rins
  • Desidratação
  • Baixos níveis de oxigénio no sangue
  • Cirurgia ou trauma recente
  • Medicamentos que suprimem o sistema imunitário
  • Ingerir proteínas em excesso
  • Medicamentos que suprimem o sistema nervoso central, tais como barbitúricos ou tranquilizantes
  • Desequilíbrio eletrolítico, especialmente uma diminuição do potássio após vómitos ou após a ingestão de diuréticos
  • Consumo em excesso de álcool
  • Medicamentos que afetam o sistema nervoso, tais como comprimidos para dormir e antidepressivos
  • Prisão de ventre
  • Desequilíbrio eletrolítico.
  • Hemorragia no aparelho digestivo
  • Problemas de circulação sanguínea no fígado

Quais são os sintomas?

Os sintomas da encefalopatia hepática variam de acordo com as causas dos danos hepáticos.

Os sintomas e sinais da doença no seu estado moderado podem incluir:

  • Dificuldade de raciocínio
  • Mudanças de personalidade
  • Dificuldades de concentração
  • Problemas com a caligrafia  
  • Perda de pequenos movimentos das mãos
  • Confusão mental
  • Falta de memória
  • Capacidade para fazer julgamentos deficiente
  • Odor a mofo no corpo ou hálito doce na boca

Os sintomas de encefalopatia hepática no estado da doença grave incluem:

  • Confusão mental
  • Sonolência ou letargia
  • Ansiedade
  • Apreensões exacerbadas
  • Mudanças de personalidade severas
  • Fadiga
  • Discurso confuso
  • Mãos trémulas
  • Movimentos lentos
  • Ansiedade ou irritabilidade
  • Deficiência cognitiva
  • Problemas de coordenação ou equilíbrio
  • Dificuldade de concentração ou curta duração da atenção
  • Movimento das mãos sem consistência
  • Mudanças de humor
  • Torções musculares
  • Redução do estado de alerta
  • Problemas de sono
  • Fala arrastada

Alguns sintomas da doença podem provocar mudanças no comportamento da pessoa afetada:

  • A pessoa pode despir-se em situações não habituais
  • Violência física, a pessoa pode começar a bater nos familiares
  • Urinar fora dos locais habituais e mais apropriados
  • Beber urina
  • Conduzir o carro de forma errática
  • Telefonar com o telefone desligado
  • Movimentar dinheiro de forma inapropriada
  • Urinar tudo à volta
  • Deitar-se na cama que não é sua
  • Evacuar as fezes no chão
  • Pegar fogo a objetos
  • Exibição de nudez de forma imprópria
  • Não reconhecimento de luz
  • Sair de casa e vaguear
  • Não conhecer os familiares

É importante obter ajuda médica de emergência de forma rápida se os sintomas de encefalopatia hepática grave se manifestarem na pessoa afetada pela doença.

Estes sintomas podem levar a pessoa a um estado de coma se não forem tratados rapidamente.

Como é diagnosticada a encefalopatia hepática?

Não existe um teste padrão para verificar se a encefalopatia hepática está presente no organismo.

No entanto, os testes sanguíneos podem identificar problemas como infeções e hemorragias associadas a doenças que afetam o fígado.

O médico pode recomendar vários testes clínicos para descartar outras doenças que causam sintomas semelhantes, tais como AVC e tumores cerebrais.

Estes são alguns dos testes utilizados para diagnosticar a encefalopatia hepática:

Análises ao sangue

Um hemograma completo verifica os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, e plaquetas. Uma contagem baixa de glóbulos vermelhos indica perda de sangue e falta de oxigénio.

Os testes sanguíneos também podem ser utilizados para verificar os níveis sanguíneos de sódio, potássio e amoníaco. Ter demasiadas destas substâncias é um sinal de deficiência da função hepática.

Exames médicos com imagem

Um exame médico com imagem ao cérebro, tal como um TAC ou uma ressonância magnética, pode verificar se existem hemorragias na cabeça ou anomalias no cérebro.

Testes de função hepática

Os testes de função hepática verificam se existem níveis elevados de enzimas no fígado. Um aumento de enzimas indica stress no fígado ou danos no fígado.

É importante informar o médico se existe doença renal ou hepática. Os sintomas destas doenças juntamente com a história clínica da pessoa podem por vezes ser suficientes para diagnosticar a encefalopatia hepática.

Além dos testes e exames médicos, para fazer o diagnóstico o médico terá ainda em conta:

  • Historial médico da pessoa afetada
  • Sintomas apresentados pelo doente
  • Exame físico

Quais são as complicações da encefalopatia hepática?

As doenças hepáticas necessitam sempre de tratamento, como a utilização de medicamentos e mudanças de estilo de vida, incluindo evitar o consumo de álcool.

Se a causa da doença hepática não for tratada, a função do fígado deteriora-se, e as toxinas continuam a acumular-se.

A complicação mais grave da doença é a perda de consciência e a entrada em coma hepático.

Como fazer a prevenção?

A melhor maneira de prevenir a encefalopatia hepática é prevenir e gerir as doenças do fígado.

As hipóteses de desenvolver doenças hepáticas podem ser atenuadas ao seguir algumas estratégias:

  • Evitar o consumo de álcool ou consumir com muita moderação porque danifica as células do fígado
  • Evitar o consumo de alimentos ricos em gordura
  • Manter um peso saudável

Evitar contrair hepatite viral:

  • Não partilhar agulhas contaminadas para evitar a ocorrência de hepatite
  • Lavar bem as mãos depois de usar a casa de banho ou mudar uma fralda
  • Evitar o contacto próximo com pessoas diagnosticadas com hepatite viral
  • Tomar a vacina contra a hepatite A e a hepatite B
  • Evitar os medicamentos que afetam o sistema nervoso, tais como comprimidos para dormir e antidepressivos.
  • Fazer uma dieta nutritiva e fazer exercício para manter um peso saudável
  • Tomar os medicamentos prescritos para tratar as doenças hepáticas que possam já existir
  • Submeter-se a testes regulares de função hepática

É importante não esquecer que uma pessoa com cirrose corre sempre um maior risco de desenvolver encefalopatia e por isso é essencial evitar todos os fatores que podem desencadear a doença, como por exemplo quadros de doença com infeção, prisão de ventre, diarreia ou vómitos, entre outros.

Conclusão

Viver com uma doença crónica requer um envolvimento regular com os cuidados de saúde, onde o foco está no tratamento do diagnóstico e dos sintomas de forma a que estes possam ser geridos da melhor forma.

As pessoas com encefalopatia hepática podem retardar, parar ou reverter a doença, mantendo-se fiéis ao seu plano de tratamento que foi prescrito pelo médico.

Estas pessoas podem precisar de continuar a tratar a doença durante um tempo indeterminado para impedir que os sintomas piorem ou voltem depois de uma fase com melhorias.

Desta forma, é extremamente importante consultar um médico de imediato quando se observam sinais de encefalopatia hepática pela primeira vez.

Já que quando a doença não é tratada de forma rápida e adequada pode piorar e aumentar o risco de complicações graves, como o coma hepático.

Para algumas das pessoas afetadas com uma doença hepática em fase terminal, a única solução é um transplante de fígado, dado que o novo órgão não estará afetado pela doença e o fígado doente é removido.

Assim é muito importante adotar um estilo de vida mais saudável que possa evitar o aparecimento de cirrose, e prisão de ventre, dois precursores importantes para o desenvolvimento de encefalopatia hepática.  

Os movimentos intestinais ajudam a livrar o corpo de toxinas. Ter menos movimentos intestinais pode causar a acumulação de toxinas no corpo. A eliminação destas toxinas ajuda a evitar formas mais graves da doença.

Os sintomas da encefalopatia hepática podem ser muito difíceis de gerir e incluem, entre outros, perturbações do pensamento, alterações de humor, problemas de sono e movimentos descoordenados.

Por isso, um tratamento atempado e adequado é fundamental, podendo impedir internamentos por encefalopatia, melhorar a sobrevivência e proporcionar mais bem-estar.

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Referências:

  • Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia
  • Healthline 

*Atenção: O Blog Mais que Cuidar é um espaço informativo, de divulgação e educação sobre temas relacionados com saúde e bem-estar, não devendo ser utilizado como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde.

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