5 Pontos sobre Cuidados Paliativos

Cuidados-Paliativos-Domiciliarios

  1. A origem da expressão «cuidados paliativos» remonta aos «hospices» britânicos, no século XIX, pensados para acolher os pobres moribundos. Só se vestiu do significado que tem hoje nos anos 50 do século XX, quando Cicely Saunders, uma enfermeira inglesa inconformada com o sofrimento de um doente de cancro, se dedicou ao alívio da dor de doentes terminais e criou o Movimento Hospice. Em 1967, Cicely fundou o St. Christopher Hospice, em Londres, e deu início ao Movimento Hospice Moderno. Este foi o primeiro hospital a reunir especialistas em controlo da dor, ensino e pesquisa clínica, tendo sido pioneiro no campo dos cuidados paliativos.
  2. A sistematização dos cuidados paliativos tem 40 anos. O primeiro país a reconhecer a medicina paliativa como especialidade médica foi o Reino Unido, em 1987. Segundo a Organização Mundial de Saúde, «Cuidado Paliativo» é a abordagem que promove qualidade de vida de pacientes e seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. Requer a identificação precoce, avaliação e tratamento da dor e outros problemas de natureza física, psicossocial e espiritual» (2002).
  3. Em junho de 2016, foi criada em Portugal a Comissão Nacional de Cuidados Paliativos, presidida por Edna Gonçalves. «Estima-se que abranja cerca de 80 mil pessoas com necessidades paliativas no país», afirma Edna Gonçalves. Para ela, é tão importante criar condições para distribuir equipas de cuidados paliativos a todos pelo país, como «mudar mentalidades». «A integração dos Cuidados Paliativos na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, em 2006, levou a que se criasse a ideia de que são cuidados de cariz eminentemente social e de fim de vida, o que é muito redutor. Os Cuidados Paliativos podem ser úteis em qualquer fase de uma doença grave, podendo o doente estar, por exemplo, a fazer quimioterapia», diz. Neste momento, existem 55 médicos com competência para prestar cuidados paliativos especializados em Portugal, certificados pela Ordem dos Médicos.
  4. O Ministério da Saúde garante que está nos seus planos aumentar as unidades de saúde pelo país com equipas de cuidados paliativos domiciliários – ainda há três distritos (Viana do Castelo, Aveiro e Leiria) sem unidades destas a funcionar. Nos próximos dois anos, as 19 equipas domiciliárias de cuidados paliativos existentes deverão passar para 52. A ideia é «humanizar os cuidados prestados e ajudar os doentes a viver melhor a fase final da vida, garantindo que o doente e a família possam escolher o local onde este vai passar os últimos tempos de vida, seja em casa ou noutro local».
  5. A figura do cuidador é decisiva na equação dos cuidados paliativos. Manuel Lopes foi escolhido para elaborar o «estatuto do cuidador». «Os cuidadores informais», explica, «são pessoas que cuidam de outra, numa situação de doença crónica, deficiência e/ou dependência, parcial ou total, de forma transitória ou definitiva, ou noutra condição de fragilidade e necessidade de cuidados. Não pode ser restringido a uma determinada dimensão dos cuidados de saúde (como os paliativos), uma vez que a sua abrangência é vasta. O seu contributo é enorme e antevê-se crescente, face às atuais projeções demográficas e epidemiológicas».

Fonte: Katya Delimbeuf in Jornal Expresso do dia 19 de agosto de 2017

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