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Fibromialgia: o que é, sintomas, tratamentos e causas

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Já ouviu falar de fibromialgia? Sabe o que é, quais são os seus sintomas, causas e tratamentos? A fibromialgia faz parte das doenças reumáticas, assim como a artrite reumatóide e a lúpus, que se não forem devidamente tratadas podem causar incapacidade. Apesar destas síndromes clínicas não terem cura, existem atualmente vários tratamentos naturais e eficazes que permitem aos doentes terem uma boa qualidade de vida.

A Joana tem uma vida muito stressante. Há vários meses que tem tido episódios de dor no corpo todo, fadiga, algumas tonturas e alterações intestinais. O diagnóstico foi desafiante e após vários estudos realizados pelo médico reumatologista, foi-lhe diagnosticado fibromialgia.

Neste artigo iremos explicar tudo sobre esta doença. Confira abaixo as questões que serão abordadas:

O que é fibromialgia?

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A Fibromialgia é uma doença reumática crónica, não inflamatória, que se caracteriza por dores musculoesqueléticas generalizadas acompanhadas de fadiga, sono, problemas de humor e de memória. Os investigadores acreditam que a fibromialgia amplifica as sensações de dor, afetando a forma como o cérebro processa os sinais de dor.

Por vezes, os sintomas começam após um trauma físico, cirurgia, infeção ou stress psicológico. Em outros casos, os sintomas acumulam-se gradualmente ao longo do tempo, sem nenhum evento desencadeador.

Esta síndrome afeta homens, mulheres e crianças de todas as etnias, idades, estatutos, estimando-se que afeta cerca de 2% a 5% da população adulta, dependendo dos países, em que 80% a 90% são mulheres entre os 20 e os 50 anos. Foi reconhecida pela OMS, em 1990 e em 1992 foi considerada como uma doença do foro reumatológico.

Em Portugal, estima-se que afeta 1,7% da população, com predomínio nas mulheres acima dos 40 anos, sendo que em outros estudos estima-se uma prevalência de 3,6% de casos de fibromialgia, podendo muitos outros não estar diagnosticados, pois muitos doentes vivem com indeterminação de diagnóstico durante muito tempo.

O dia mundial da fibromialgia comemora-se a 12 de maio. 

Sinais e sintomas da fibromialgia

Dor no corpo todo

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A dor músculo-esquelética é generalizada, mal definida, imprecisa, difusa e muitas vezes salta de uns lados para os outros. Varia de intensidade de acordo com as horas do dia, a intensidade dos esforços, com as mudanças climáticas, a qualidade do sono, aspectos emocionais ou stress. 

A tipologia da dor da fibromialgia pode ser descrita como sensação de queimadura ou mal estar, podendo mesmo ocorrer espasmos musculares.

Fadiga

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Afeta mais de 90% dos doentes e é referida com maior intensidade de manhã e frequentemente agravada ao meio da tarde, e não passa com o repouso como acontece noutras situações. A falta de energia, leva a que no dia-a-dia a realização de tarefas consideradas simples levem a pessoa à exaustão.

Distúrbios do sono

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Estes doentes não atingem o estádio mais profundo do sono, verificando-se constantes acordares durante a noite, desconhecendo-se a razão para esta perturbação. Os distúrbios podem ser classificados como alterações quantitativas (insónias, constantes acordares durante a noite ou sono de curta duração), ou alterações qualitativas (não se acorda descansado, o sono não é reparador mesmo dormindo muitas horas).

Rigidez

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É principalmente referida ao acordar ou após longos períodos de permanência na mesma posição, quer sentado quer em pé.

Perturbações cognitivas

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Os défices cognitivos são normais e podem incluir dificuldade de concentração, falta de memória, confusão mental, etc.

Perturbações gastrointestinais

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Entre 40 e 70% dos doentes refere problemas gastrointestinais, apresentando sintomas da síndrome do intestino irritável, dos quais se destacam a obstipação, diarreia, dores abdominais, gases e náuseas.

Dores de cabeça

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São referidas por mais de 50% dos doentes dores de cabeça recorrentes assim como, enxaquecas, que podem limitar a atividade diária do doente.

Hipersensibilidade química

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A intolerância e hipersensibilidade a determinados cheiros, ruídos, luzes intensas, medicamentos, alimentos e produtos de limpeza e higiene são também frequentemente referidos.

Outros sintomas comuns:

  • Dormência e formigueiros nas mãos e pés
  • Intolerância ao frio
  • Sensação de secura na boca e olhos
  • Alergias
  • Depressão
  • Ansiedade
  • Alterações do humor
  • Dor torácica não cardíaca
  • Tonturas
  • Zumbidos
  • Visão turva ou desfocada
  • Disfunção da articulação temporomandibular

Estes sintomas são muitas vezes agravados por fatores externos como o stress, frio, humidade, ruído, mudanças climatéricas e excesso de esforço, e fatores internos como a ansiedade, depressão e variações hormonais.

Pontos de dor da fibromialgia

Os chamados pontos de dor são as áreas sensíveis à pressão e localizam-se em áreas bem identificadas sobre músculos, tendões e tecido adiposo e distribuem-se de forma generalizada e simetricamente.

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Na imagem acima podemos observar os principais pontos de dor da fibromialgia, que estão localizados:

  1. Na parte da frente e de trás do pescoço
  2. Na parte de trás dos ombros
  3. Na parte superior do peito
  4. Nos cotovelos
  5. Na parte superior das nádegas
  6. Na anca
  7. Nos joelhos

Tratamentos

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O tratamento para a fibromialgia pode ser feito com medicamentos ou de forma natural com terapias alternativas, como por exemplo, aromaterapia, acupuntura e psicoterapia. A fisioterapia através de exercícios e massagens também é muito importante para ajudar a aliviar a dor e evitar novas crises.

Medicamentos para fibromialgia

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Os remédios para a fibromialgia devem ser sempre prescritos pelo reumatologista, neurologista ou psiquiatra, podendo incluir:

  • Relaxantes musculares para diminuir a rigidez dos músculos;
  • Remédios analgésicos, como o Paracetamol, a Codeína ou o Tramadol para aliviar a dor generalizada, característica desta doença;
  • Anti-convulsionantes, como Gabapentina, por exemplo, pois podem ajudar a melhorar a dor associada à fibromialgia.
  • Antidepressivos, como a Amitriptilina ou a Fluoxetina para ajudar a tratar a depressão;
  • Indutores do sono, como o Zolpidem ou o Midazolam, por exemplo, para ajudar a tratar os distúrbios do sono que costumam ser frequentes na fibromialgia;
  • Remédios para a ansiedade, como o Diazepam ou o Lorazepam para ajudar a tratar a ansiedade;

A fibromialgia não tem cura, por isso, o tratamento medicamentoso apenas ajuda a diminuir a dor e os outros sintomas da fibromialgia.

Fisioterapia

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A fisioterapia é muito importante no tratamento da fibromialgia porque ajuda a controlar sintomas como a dor, cansaço e distúrbios do sono, promovendo o relaxamento e o aumento da força e flexibilidade muscular.

A fisioterapia pode ser realizada de 2 a 4 vezes por semana e o tratamento deve ser direcionado para o alívio dos sintomas que a pessoa apresenta.

Alongamentos

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Os exercícios de alongamento ajudam no tratamento da fibromialgia porque promovem o relaxamento, melhoram a circulação sanguínea, a mobilidade e a flexibilidade muscular. 

Um ótimo exercício de alongamento para fibromialgia é deitar-se de costas e dobrar os joelhos junto ao peito, mantendo a posição durante cerca de 30 segundos, e depois dobrar os joelhos para o lado direito enquanto se vira a cabeça para o braço esquerdo, que deve estar esticado num ângulo de 90 graus com o corpo, mantendo a posição cerca de 30 minutos. Deve-se repetir o exercício também para o outro lado.

Hidroterapia

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A hidroterapia é uma atividade terapêutica que consiste na realização de exercícios dentro de uma piscina com água a uma temperatura de cerca de 34º, com a ajuda de um fisioterapeuta.

A água permite a realização de exercícios de maior amplitude, reduzindo a dor e a fadiga e melhorando a qualidade do sono. Com esta técnica, consegue-se um fortalecimento dos músculos, aumento da amplitude das articulações, melhoria do funcionamento cardiorrespiratório e da circulação sanguínea e diminuição da dor e do stresse.

Massagem

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A massagem terapêutica e a massagem de relaxamento conseguem aumentar a circulação sanguínea, retirar as toxinas acumuladas nos músculos, tendões e ligamentos, relaxa, diminui a dor e o cansaço.

Aparelhos de eletroterapia

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Os aparelhos de eletroterapia, como o TENS ou biofeedback podem ser utilizados para reduzir a dor nos pontos de dor da fibromialgia e melhorar a circulação sanguínea local. Habitualmente esta técnica é realizada pelo fisioterapeuta.

Exercício físico

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O estado de imobilização a que muitos doentes com fibromialgia se remetem para não desencadear as dores, leva a uma deficiente condição física com redução da força e da flexibilidade dos músculos, provocando cansaço fácil.

A prática regular de exercício físico é essencial. Antes de iniciá-lo, no entanto, é importante que os doentes realizem uma avaliação funcional e dos riscos potenciais inerentes aos sistemas cardiovascular, respiratório e locomotor, bem como dos medicamentos que estão a tomar. 

A atividade física deve, portanto, ser individualizada e prescrita pelo médico e, se for necessário, acompanhada por um profissional especializado na área como por exemplo um personal trainer

Os exercícios são classificados como aeróbicos, de fortalecimento e de alongamento. Dentro destes, as caminhadas e a hidroginástica são os mais bem estudados e de valor definido como determinantes da melhoria de vários parâmetros clínicos da fibromialgia (dor, distúrbios do sono, fadiga, depressão e ansiedade).

Dieta para a fibromialgia

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A alimentação pode ser uma aliada no alívio dos sintomas da fibromialgia. De seguida serão apresentados os alimentos mais indicados e os a serem evitados.

Alimentos indicados

Quem sofre de fibromialgia deve aumentar o consumo de alimentos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórios, como:

  • Limão
  • Laranja
  • Melancia
  • Frutos vermelhos
  • Melão
  • Bróculos
  • Couve
  • Espinafre
  • Tomate
  • Abóbora

A vitamina D ou o magnésio, parecem estar diminuídas na maioria das pessoas com fibromialgia. Para aumentar os níveis de vitamina D deve-se apostar em alimentos como o atum, a gema de ovo, os alimentos enriquecidos com vitamina D e a sardinha enlatada. Já para melhorar a quantidade de magnésio, é importante aumentar a ingestão de banana, abacate, sementes de girassol, leite, granola e aveia, por exemplo.

Alimentos a serem evitados

Os sintomas de fibromialgia podem piorar se o doente exagerar no consumo de alimentos ricos em sal, óleos ricos em gorduras poliinsaturadas, hidratos de carbono e cafeína. Veja alguns exemplos de comidas e bebidas que não devem fazer parte da alimentação de que sofre desta doença:

  • Café
  • Refrigerantes
  • Enchidos
  • Alimentos processados
  • Doces
  • Macarrão

Psicoterapia

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Nos doentes que não respondem adequadamente às terapias iniciais é sugerido a terapia cognitivo-comportamental (TCC).  As intervenções psicológicas devem ser integradas ao tratamento multidisciplinar.

Como é feito o diagnóstico da fibromialgia?

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O diagnóstico da fibromialgia é de exclusão, o que quer dizer que necessita de uma avaliação clínica adequada realizada por um médico especialista como o reumatologista.

O reumatologista é um médico com experiência no diagnóstico de doenças que têm manifestações osteoarticulares e/ou músculo-esqueléticas e que excluí, se necessário com o recurso a alguns exames de diagnóstico laboratoriais e/ou radiológicos, outras doenças que possam apresentar manifestações aparentemente semelhantes à fibromialgia.

Esta doença caracteriza-se por uma ausência de alterações nos estudos laboratoriais e de imagem.

Devido à multiplicidade dos sintomas, os doentes poderão ser acompanhados por várias especialidades, dependendo das queixas e sintomas que precisam de tratar, devendo trabalhar em equipa, para um melhor resultado no tratamento. 

Esta equipa multidisciplinar pode ser formada por médicos de Reumatologia, Neurologia, Medicina da Dor, Medicina Geral e Familiar, Ortopedia, Fisiatria, Psicologia, Psiquiatria, Gastroenterologia, Ginecologia, Urologia e por profissionais de saúde na área da Fisioterapia, Terapia ocupacional, Enfermagem, Nutrição e Serviço Social.

Como saber se tenho fibromialgia?

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O diagnóstico da Fibromialgia é essencialmente clínico. O médico reumatologista durante a consulta obtém algumas informações que são essenciais. Os sintomas mais importantes são dor generalizada, dificuldade em dormir ou acordar cansado e sensação de cansaço ou fadiga durante todo o dia. 

Outros problemas podem acompanhar a fibromialgia, como depressão, ansiedade, alterações intestinais ou urinárias, dor de cabeça frequente, entre outros. Ao examinar, o médico pode observar uma grande sensibilidade em pontos específicos dos músculos. 

Nos novos critérios de diagnóstico da Fibromialgia, a sua confirmação é realizada do seguinte modo:

  1. Presença de sintomas como fadiga, acordar cansado, dor generalizada e alterações cognitivas, durante um período superior ou igual a 3 meses.
  2. Resultado superior ou igual a 13 pontos no instrumento de diagnóstico de Fibromialgia, através dos seguintes parâmetros:
  • Índice de dor generalizada maior ou igual a 7 e escala de gravidade dos sintomas igual ou superior a 5;
  • Índice de dor generalizada entre 3 e 6 com a escala da gravidade dos sintomas superior a 9 e com presença de dor abdominal e/ou com depressão e/ou cefaleia, nos últimos 6 meses.
  1. Ausência de outra doença que possa explicar a sintomatologia.

Exames

exames para fibromialgia

Em relação ao diagnóstico, não existem exames para fibromialgia. O diagnóstico é totalmente clínico e feito através dos sinais e sintomas. O médico pode pedir exames para excluir doenças que se apresentam de forma semelhante à fibromialgia ou ainda para detectar outros problemas que podem ocorrer e influenciar na sua evolução.

Os exames laboratoriais habitualmente pedidos para o diagnóstico diferencial podem ser:

  • Proteína C reativa (PCR)
  • Velocidade de sedimentação (VS)
  • Creatinina fosfoquinase (CPK)
  • Sorologias para doenças reumáticas
  • Hemograma
  • Análise da função tiroideia (TSH)
  • Cálcio sérico

Quais as causas da fibromialgia?

o que pode causar fibromialgia

Não existe ainda uma causa definida, mas há algumas pistas de porque as pessoas têm fibromialgia. Os estudos mostram que os doentes apresentam uma sensibilidade maior à dor do que as pessoas sem fibromialgia. 

Na verdade, seria como se o cérebro das pessoas com fibromialgia interpretasse de forma exagerada os estímulos, ativando todo o sistema nervoso para fazer a pessoa sentir mais dor.

Mesmo não sabendo a causa exata, sabe-se que algumas situações provocam agravamento dos sintomas de quem tem Fibromialgia. Alguns exemplos são:

  • Fatores de predisposição genética
  • Doenças autoimunes
  • Infecção
  • Depressão
  • Ansiedade
  • Sedentarismo
  • Traumas psicológicos/emocionais
  • Sexo
  • Idade
  • Stress crónico

Fibromialgia tem cura? Provoca deformações?

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A Fibromialgia é uma condição médica crónica, o que significa que dura muito tempo, possivelmente para toda a vida. Entretanto, pode ser confortante saber que, embora não exista cura, a fibromialgia não é uma doença progressiva.

Existem muitas pessoas que perguntam “A fibromialgia pode matar?” Ela nunca é fatal e não causa danos às articulações, aos músculos, ou órgãos internos. 

Embora ainda não tenha sido descoberta a cura para Fibromialgia, em muitas pessoas ela melhora com o tempo, e há casos nos quais os sintomas retrocedem quase totalmente.

A Fibromialgia não deve ser encarada como uma doença que necessita de tratamento, mas sim como uma condição clínica que requer controle. Isso porque, na pessoa predisposta, as suas manifestações ocorrem ao longo da vida associados a fatores físicos e emocionais. 

Neste contexto, as manifestações devem ser tratadas na direta proporção da sua gravidade. Porém, com o tratamento atual da Fibromialgia é possível a pessoa experimentar ficar sem dor ou com a dor num nível muito baixo. Os outros sintomas como a fadiga, a alteração do sono e a depressão também podem ser tratadas adequadamente.

Mais do que em outros problemas, o tratamento da fibromialgia depende muito do doente. O médico deve atuar mais como um guia do que apenas uma pessoa que prescreve medicamentos.

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É muito importante que a pessoa com fibromialgia entenda que a atividade física regular terá que ser mantida para o resto da vida, pelo risco de esta doença voltar, se esta atividade física for interrompida.

Ao contrário de outras doenças reumatológicas, como a Artrite Reumatóide e a Artrose, a fibromialgia não causa deformidades ou incapacidades físicas graves. No entanto, podemos observar, num número significativo de doentes, um decréscimo importante da qualidade de vida, com reflexos nos aspectos social, profissional e afetivo destes doentes. 

Uma questão central para os estes doentes é a dificuldade para a realização de tarefas, profissionais ou do dia-a-dia. Os doentes mostram-se extremamente inseguros quanto ao desempenho pessoal, gerando um estado crónico de revolta em relação a sua saúde. Queixam-se frequentemente da redução da qualidade do seu trabalho, com consequente influência na sua vida profissional e mesmo nas finanças pessoais e familiares.

Cerca de 70% dos doentes com fibromialgia referem que a doença afeta negativamente a sua vida sexual, na mesma proporção para o(a) companheiro(a). Os familiares também sofrem neste convívio com os portadores de fibromialgia, devido ao intenso stress psicológico. 

É importante salientar, que a gravidade da fibromialgia pode estar também relacionada com as diversas outras doenças crónicas como a Artrite Reumatoide, Lúpus Eritematoso Sistémico, Artrose, Tendinites, entre outras que afetam o aparelho osteoarticular. Da mesma forma, torna-se mais grave quando associada aos distúrbios psiquiátricos como a depressão e ansiedade.

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Complicações da fibromialgia

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Um quadro de fibromialgia, quando não tratado, pode provocar no doente limitações nas suas tarefas básicas na vida profissional, pessoal e social, relacionadas sobretudo com a dor intensa generalizada. O doente pode ter incapacidade temporária ou permanente para trabalhar. Pode também sentir-se incapaz de realizar as suas atividades de vida diárias como por exemplo, cuidar da sua higiene pessoal e cuidar das tarefas da casa.

Além disso, a frustração em lidar com os sintomas da doença pode levar ao desenvolvimento de depressão e ansiedade.

A depressão é muito frequente na fibromialgia, estando presente em até 50% dos doentes. Desta forma, frequentemente observamos doentes com fibromialgia e depressão. Ambas as condições atuam como um círculo vicioso, piorando o quadro. O doente deprimido também apresenta distúrbio do sono e fadiga, sintomas comuns na Fibromialgia.

Por outro lado, a obesidade e a fibromialgia compartilham uma relação complicada, que não podemos ignorar. Muitas pessoas com fibromialgia levam vidas sedentárias, devido à sua dor crónica, e a falta de atividade física regular aumenta o risco de obesidade. 

Ao mesmo tempo, estar acima do peso ou obeso provoca mais sobrecarga sobre as articulações, o que pode causar mais dor e agravar a fibromialgia.

Como viver com fibromialgia?

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Conviver com Fibromialgia é um desafio diário para cada doente, pois não há uma evolução contínua dos sintomas, sendo que variam diariamente de intensidade e gravidade, sendo que por essa razão o doente vive em constante stress, o que afeta o ciclo da dor e consequentemente os restantes sintomas, tornando-se o ciclo vicioso do da vida de uma doente com esta síndrome.

Algumas das principais queixas dos doentes, encontradas em diversos estudos, projetos e relatórios são:

  • a incompreensão que sentem quer na consulta médica (dado a dificuldade de diagnóstico e o reconhecimento da doença como crónica, real e não do foro psicológico, como foi considerada durante muitos anos) quer no âmbito das suas relações humanas, nos seus diversos contextos, levando ao isolamento, a perturbações emocionais e de igual modo, o não reconhecimento como doente crónico, que interfere com a sua saúde e o seu dia-a-dia; 
  • a frustração relacionada com o efeito não imediato dos tratamentos quer farmacológicos quer não farmacológicos, que pode levar ao abandono dos mesmos, ao sedentarismo e consequente agravamento de sintomas e a culpabilização por não poder fazer o que fazia antes, por não conseguir cumprir tarefas das mais simples às mais complexas.

No sentido de poder conviver o melhor possível com a fibromialgia, o doente precisa de se responsabilizar pela sua saúde, cumprindo os planos terapêuticos e as orientações médicas, ou de outros profissionais de saúde e conversando com as pessoas que o rodeiam.

Pode também transformar-se num veículo de informação, sensibilização e consciencialização, contribuindo, desse modo, para a diminuição dos estereótipos, do preconceito social associados à doença, pois havendo mais informação haverá mais aceitação e compreensão da fibromialgia e das suas repercussões no dia-a-dia do doente.

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Outra forma de o doente se sentir mais apoiado é procurar uma associação de doentes com fibromialgia que tenha grupos de apoio, que partilhe informações, promova atividades, fazendo com que não se sinta sozinho, pois estará a partilhar a sua vivência com aqueles que têm a mesma condição, os mesmos desafios. 

As associações de doentes têm um papel muito importante na vida de um doente, pois lutam pelos seus direitos, informam, apoiam, criam sinergias que são vitais para viver o melhor possível e de um modo saudável, com esta doença.

Em Portugal, existe a nível nacional a associação Myos – Associação Nacional Contra a Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crónica, com sede em Lisboa e que além de realizar diversas atividades lúdicas, participa em projetos e estudos de investigação com benefícios para todos os doentes com Fibromialgia.

Além disso, sensibiliza e consciencializa a sociedade civil sobre a doença e os desafios do doente no seu dia-a-dia. Atualmente, a Myos oferece apoio presencial e/ou telefónico às 2ªs, 4ªs e 6ªs feiras, das 14h às 18h, além de partilhar várias informações pertinentes na sua página do Facebook Myos.

Baixa médica por fibromialgia

baixa médica por fibromialgia cit

Em caso da fibromialgia provocar incapacidade, o médico de família pode emitir um Certificado de Incapacidade Temporária (CIT), que será devidamente reencaminhado às três partes a quem de direito (nomeadamente à Segurança Social, à entidade empregadora e ao trabalhador).

Uma vez que a informação relativa à situação de doença é enviada eletronicamente pelos serviços de saúde para os serviços de Segurança Social, o beneficiário não tem que apresentar nenhum documento. A partir dos dados recebidos, os serviços de Segurança Social verificam as condições de atribuição do subsídio e procedem ao seu pagamento, se for o caso.

Caso a certificação da doença seja feita manualmente pelo médico, os serviços de saúde entregam ao beneficiário o original do CIT, o qual deve ser enviado pelo beneficiário para a Segurança Social num prazo de cinco dias úteis (máximo), a contar da data de emissão.

Conclusão

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Apesar de ser uma patologia grave, na fibromialgia não se verifica lesão muscular, articular ou óssea, não compromete órgãos internos, nem reduz a esperança de vida. Poderá ser profundamente incapacitante devido à intensidade e/ou à cronicidade dos sintomas, principalmente nas situações em que o diagnóstico é tardio.

Deste modo, torna-se essencial o diagnóstico precoce, de forma a tranquilizar o doente relativamente a ausência de gravidade e a iniciar o tratamento adequado às manifestações clínicas em cada caso particular.

É possível aos doentes com Fibromialgia conviverem com a doença de um modo mais saudável, a vários níveis, passando pela aceitação da condição, responsabilizando-se pelos novos hábitos de saúde, procurando o apoio necessário, para que não se sintam sozinhos e possam informar os seus pares e para que possam gerir, saudavelmente, as suas emoções, com confiança, amor-próprio, autoestima e esperança.

É muito importante que a família e os amigos ajudem o doente com Fibromialgia a reconhecer e ajustar os seus limites, cooperando entre si para criar um ambiente seguro e estável, com stress diminuído, contribuindo assim para o bem-estar comum.
Em situações de incapacidade temporária ou permanente causados pela fibromialgia, pode ser importante o suporte de serviços de cuidados domiciliários como é exemplo do apoio domiciliário para dar apoio ao doente e sua família na satisfação das atividades de vida diária como a higiene pessoal, refeições, cuidados com a casa, entre outras.

Referências:

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