Fibromialgia

Fibromialgia

O que é Fibromialgia?

A Fibromialgia é uma síndrome clínica que se manifesta, principalmente, com dor no corpo todo. Muitas vezes é difícil definir se a dor é nos músculos ou nas articulações. Os doentes costumam dizer que não há nenhum lugar do corpo que não doa. Juntamente com a dor, surgem sintomas como fadiga (cansaço), sono não reparador (a pessoa acorda cansada, com a sensação de que não dormiu) e outras alterações como problemas de memória e concentração, ansiedade, formigueiro/dormências, depressão, dores de cabeça, tonturas e alterações intestinais. Uma característica da pessoa com Fibromialgia é a grande sensibilidade ao toque.

Qual é a causa da Fibromialgia?

Não existe ainda uma causa definida, mas há algumas pistas de porque as pessoas têm Fibromialgia. Os estudos mostram que os doentes apresentam uma sensibilidade maior à dor do que as pessoas sem Fibromialgia. Na verdade, seria como se o cérebro das pessoas com Fibromialgia interpretasse de forma exagerada os estímulos, ativando todo o sistema nervoso para fazer a pessoa sentir mais dor.

A Fibromialgia também pode aparecer depois de acontecimentos graves na vida de uma pessoa, como um trauma físico, psicológico ou mesmo uma infecção grave. O mais comum é que o quadro comece com uma dor localizada crónica, que progride para envolver todo o corpo.

O motivo pelo qual algumas pessoas desenvolvem Fibromialgia e outras não ainda é desconhecido. O que não se discute é se a dor do doente é real. Hoje, com técnicas de pesquisa que permitem ver o cérebro em funcionamento em tempo real, descobriu-se que doentes com Fibromialgia realmente sentem a dor que dizem sentir. Mas é uma dor diferente, em que não há lesão no corpo, e, mesmo assim, a pessoa sente dor. Mesmo não sabendo a causa exata, sabe-se que algumas situações provocam agravamento das dores de quem tem Fibromialgia. Alguns exemplos são: o excesso de esforço físico, o stress emocional, algumas infecções, a exposição ao frio, problemas do sono ou trauma.

Quais são os sintomas da Fibromialgia?

O principal sintoma da Fibromialgia é a dor generalizada (dor no corpo todo), percebida especialmente nos músculos. É muito comum que o doente sinta dificuldade em definir onde está a dor, e muitos referem-na como sendo “nos ossos”, nas “juntas” ou “nas carnes”.

Como os músculos estão presentes em todo o corpo, este é o motivo da confusão. É importante salientar que não só o doente refere dor espontânea, como também bastante dor ao toque. É frequente o doente com Fibromialgia referir que não pode ser abraçado ou mesmo acariciado. Além da dor, o cansaço é uma queixa frequente na Fibromialgia. Muitas vezes é difícil diferenciar este cansaço da sonolência. As alterações do sono são extremamente comuns na Fibromialgia, e as primeiras alterações objetivas desta doença foram detectadas no estudo do sono (polissonografia) destes doentes.

Muitas vezes o doente até dorme um bom número de horas, mas acorda cansado – é o famoso “sono não reparador” da Fibromialgia. Também pode ocorrer insónia, sensação de pernas inquietas antes de dormir e movimentos da perna durante o sono.

Como a Fibromialgia é uma doença em que as sensações estão amplificadas, são comuns as queixas noutros lugares do corpo, como dor abdominal, queimaduras e formigueiro, problemas em urinar e dor de cabeça. Como noutros doentes que sofrem de dor crónica, existem também as queixas de falta de memória e dificuldades na concentração. Os distúrbios do humor como ansiedade e depressão são comuns e importantes.

Porque se fala tanto de depressão quando se toca no assunto Fibromialgia?

Tanto a ansiedade quanto a depressão influenciam negativamente a Fibromialgia, de forma semelhante ao que ocontece noutras doenças. A depressão é muito frequente na Fibromialgia, estando presente em até 50% dos doentes. Desta forma, frequentemente observamos pacientes com Fibromialgia e depressão. Ambas as condições atuam como um círculo vicioso, piorando o quadro. O doente deprimido também apresenta distúrbio do sono e fadiga, sintomas comuns na Fibromialgia.

É importante ressaltar, no entanto, que uma percentagem considerável de doentes com Fibromialgia não apresenta depressão, de forma que ambas, depressão e Fibromialgia, são condições clínicas diferentes. Da mesma forma, vários estudos confirmaram que a dor sentida pelo doente com Fibromialgia é real, e não imaginária ou “psicológica” como alguns supunham. Quando presentes no mesmo doente, tanto a depressão quanto a Fibromialgia devem ser adequadamente tratadas.

Porque a Fibromialgia piora quando ficamos tristes ou deprimidos?

A interpretação da dor no cérebro sofre várias influências, entre as quais das nossas emoções. As emoções positivas, como alegria e felicidade, podem diminuir o desconforto da dor e as negativas, como tristeza e infelicidade, podem aumentar este desconforto. Em parte isto é explicado pelos neurotransmissores (substâncias químicas cerebrais que conectam as células nervosas), como a serotonina e a noradrenalina, que têm papel importante na interpretação da dor e na depressão. Desta forma, doentes com Fibromialgia que não estejam bem tratados do quadro depressivo terão níveis mais elevados de dor.

Como é feito o diagnóstico da Fibromialgia?

O diagnóstico da Fibromialgia é essencialmente clínico. O médico durante a consulta obtém algumas informações que são essenciais. Os sintomas mais importantes são dor generalizada, dificuldade em dormir ou acordar cansado e sensação de cansaço ou fadiga durante todo o dia. Outros problemas podem acompanhar a Fibromialgia como depressão, ansiedade, alterações intestinais ou urinárias, dor de cabeça frequente, entre outros. Ao examinar, o médico pode observar uma grande sensibilidade em pontos específicos dos músculos. Estes pontos são conhecidos como pontos dolorosos. Hoje não se valoriza muito a quantidade de pontos que estão dolorosos, mas a sua presença ajuda nesse diagnóstico.

Existe algum exame que faça o diagnóstico da Fibromialgia?

Em relação ao diagnóstico, não existem exames para Fibromialgia. O diagnóstico é totalmente clínico e feito através dos sinais e sintomas. O médico pode pedir exames para excluir doenças que se apresentam de forma semelhante à Fibromialgia ou ainda para detectar outros problemas que podem ocorrer e influenciar na sua evolução.

Existe cura para a Fibromialgia? A Fibromialgia provoca deformações?

A Fibromialgia é uma condição médica crónica, o que significa que dura muito tempo, possivelmente para toda a vida. Entretanto, pode ser confortante saber que, embora não exista cura, a Fibromialgia não é uma doença progressiva. Ela nunca é fatal e não causa danos às articulações, aos músculos, ou órgãos internos. Embora ainda não tenha sido descoberta a cura para Fibromialgia, em muitas pessoas ela melhora com o tempo, e há casos nos quais os sintomas retrocedem quase totalmente.

A Fibromialgia não deve ser encarada como uma doença que necessita de tratamento, mas sim como uma condição clínica que requer controle. Isso porque, na pessoa predisposta, as suas manifestações ocorrem ao longo da vida associados a fatores físicos e emocionais. Neste contexto, as manifestações devem ser tratadas na direta proporção da sua gravidade. Porém, com o tratamento atual da Fibromialgia é possível a pessoa experimentar ficar sem dor ou com a dor num nível muito baixo. Os outros sintomas como a fadiga, a alteração do sono e a depressão também podem ser tratadas adequadamente.

Mais do que em outros problemas, o tratamento da Fibromialgia depende muito do doente. O médico deve atuar mais como um guia do que somente uma pessoa que prescreve medicamentos. É muito importante que a pessoa com Fibromialgia entenda que a atividade física regular terá que ser mantida para o resto da vida, pelo risco de a Fibromialgia voltar se esta atividade for interrompida.

Ao contrário de outras doenças reumatológicas, como a Artrite Reumatóide e a Artrose, a Fibromialgia não causa deformidades ou incapacidades físicas graves. No entanto, podemos observar, num número significativo de doentes, um decréscimo importante da qualidade de vida, com reflexos nos aspectos social, profissional e afetivo destes doentes. Uma questão central para os estes doentes é a dificuldade para a realização de tarefas, profissionais ou do quotidiano. Os doentes mostram-se extremamente inseguros quanto ao desempenho pessoal, gerando um estado crónico de revolta em relação a sua saúde. Queixam-se frequentemente da redução da qualidade do seu trabalho, com consequente influência na sua vida profissional e mesmo na receita familiar.

Cerca de 70% dos doentes com Fibromialgia referem que a doença afeta negativamente a sua vida sexual, na mesma proporção para o(a) companheiro(a). Os familiares também sofrem neste convívio com os portadores de fibromialgia, devido ao intenso stress psicológico. É importante salientar, que a gravidade da Fibromialgia pode estar também relacionada com as diversas outras doenças crónicas como a Artrite Reumatoide, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Artrose, Tendinites, entre outras que afetam o aparelho osteoarticular. Da mesma forma, torna-se mais grave quando associada aos distúrbios psiquiátricos como a depressão e ansiedade.

Os doentes com fibromialgia devem fazer algum tipo de atividade física?

Sim. Além dos muitos benefícios para a saúde, a atividade física é reconhecidamente um método não medicamentoso de grande impacto na melhoria da dor, do humor e da qualidade de vida dos doentes com Fibromialgia. É, assim, uma medida fundamental, aliada às medidas medicamentosas, para o tratamento da Fibromialgia.

Os doentes com fibromialgia pioram se fizerem atividade física? Como devem fazê-la?

Os exercícios físicos são seguros. Antes de iniciá-los, no entanto, é importante que os doentes realizem uma avaliação funcional e dos riscos potenciais inerentes aos sistemas cardiovascular, respiratório e locomotor, bem como dos medicamentos que estão a tomar. A atividade física deve, portanto, ser individualizada e prescrita pelo médico e, se for necessário, acompanhada por um profissional especializado na área. Os exercícios são classificados como aeróbicos, de fortalecimento e de alongamento. Dentro destes, as caminhadas e a hidroginástica são os mais bem estudados e de valor definido como determinantes da melhoria de vários parâmetros clínicos da fibromialgia (dor, distúrbios do sono, fadiga, depressão e ansiedade).

Os exercícios de fortalecimento e de alongamento também têm o seu valor cada vez mais reconhecido e podem ser prescritos como forma segura e eficaz para o tratamento não-medicamentoso da Fibromialgia. Quanto à adaptação e aos resultados de um determinado programa de atividade física, deve-se salientar que os parâmetros de melhoria podem demorar algumas semanas para serem reconhecidos, e, dado o condicionamento prévio de cada indivíduo, pode até ocorrer um agravamento da dor nas primeiras semanas da realização dos exercícios.

Desta forma, a atividade física deve ser sempre iniciada de forma gradual, com aumentos progressivos ao longo do programa. O ideal é que seja realizada de três a cinco vezes por semana, durante 30 a 60 minutos. Por último, a prática de exercícios físicos deve ser prazerosa e parte do estilo de vida de cada um.

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