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Esquizofrenia: o que é, sintomas, tipos, causas e tratamentos

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Sabe o que é Esquizofrenia? Conhece alguém que esteja a passar por transtornos mentais e comportamentais, como: alucinações, depressão, apresentando comportamento agressivo e quer saber se são sintomas da esquizofrenia? Quais são os tipos, causas, tratamentos, se a esquizofrenia é hereditária, tem cura? Ou como lidar com um doente esquizofrénico em surto?

Esta doença do cérebro tão incapacitante e que dentro do foro das doenças psiquiátricas é a mais comum em Portugal. Segundo os Censos Psiquiátricos de 2001, é a doença que leva a mais internamentos e urgências hospitalares no âmbito da psiquiatria. 

Conheça o caso do Sr. Daniel que tem andado aborrecido com o seu filho adolescente André. Este tem estado mais irritado que o costume, deixou de estudar, não dorme e passa horas sentado na cadeira do quarto sem fazer nada. 

Costumava ser um excelente aluno mas as notas escolares começaram a baixar de forma drástica e são frequentes as discussões entre pai e filho, pelo comportamento que este tem tido nos últimos meses.

O Sr. Daniel foi chamado à escola e confrontado com o comportamento estranho do André. Os colegas dizem que ele está sempre a falar e rir sozinho e deixou de conviver com os amigos.

Foi observado pela psicológica da escola que encaminhou para a psiquiatria. Foi diagnosticada uma esquizofrenia o que deixou o pai de André muito preocupado.

Sabia que a esquizofrenia é uma doença crónica, do foro da saúde mental que requer acompanhamento por parte de profissionais de saúde especializados? Conheça tudo sobre sobre esquizofrenia neste guia completo gratuito.

Veja abaixo os tópicos que serão abordados neste artigo:

Esquizofrenia o que é?

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A definição ou significado da esquizofrenia refere-se uma doença psiquiátrica grave, crónica e incapacitante que afeta o pensamento, emoções e comportamento. Neste tipo de doença, o doente é incapaz de distinguir o que é, ou não, real, adotando um comportamento social fora do habitual.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima-se a existência de 21 milhões de pessoas com esquizofrenia no mundo, sendo mais frequente no género masculino. O aparecimento é mais precoce nos homens (15-25 anos) e mais tardia nas mulheres (25-30 anos) e rara depois dos 45 anos. A OMS, estima que ocorra em cerca de 1% da população mundial.

Surge normalmente entre o final da adolescência e o início da fase adulta. O conceito de esquizofrenia tem vindo a evoluir ao longo dos tempos, o que permitiu distinguir-se de outras patologias do foro psiquiátrico. Foi estudada e definida pela primeira vez no início do século XX, pelo psiquiatra suíço E. Bleuler.

Foi nos Estados Unidos que teve a sua expansão como conceito patológico diferenciado, tendo surgido o primeiro estudo piloto sobre a esquizofrenia entre 1966 a 1970. Como patologia psiquiátrica foi introduzida no DSM- II (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) em 1968 pela Associação psiquiátrica Americana e no CIM (Classificação Internacional de doenças) pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 1975. 

A esquizofrenia é considerada uma das doenças mentaismais incapacitantes para o doente mas também para quem o rodeia (família e amigos) pois apresenta uma grande alteração da personalidade, pensamento, afetos e comportamento o que leva o doente a confundir a realidade com a fantasia, o que geralmente conduz a uma inadaptação e  isolamento social.

Esquizofrenia Significado/Definição

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A esquizofrenia é considerada como o tipo de psicose mais importante. A psicose leva à perda de contacto com a realidade e desenvolve um comportamento e pensamento anómalo.

Segundo a DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), os sintomas devem estar presentes por um período de, pelo menos, um mês na fase mais activa, sendo os principais sintomas:

  • Delírios – Fortes convicções baseadas em falsas crença. Exemplo:convicção de que está a ser perseguido.
  • Alucinações – Ouve, sente, cheira e saboreia algo que não existe. Exemplo: O doente ouve vozes  que lhes dizem o que fazer
  • Desorganização do pensamento e discurso. Exemplo: Inventa palavras e utiliza frases sem sentido.
  • Comportamento motor grosseiramente desorganizado ou anormal (incluindo a catatonia), como a agitação ou redução dos movimentos corporais ou posturas bizarras.
  • Sintomas denominados por sintomas negativos que representam a perda da capacidade normal da pessoa expressar emoções e/ou vontade (motivação) de alcançar objectivos pessoais. Revela-se em sintomas como a diminuição da expressão emocional (como a redução da expressão emocional do rosto), diminuição da motivação, apatia, falta de interesse em actividades de socialização, entre outros.
esquizofrenia principais características

As principais características da esquizofrenia são:

  • Narcisismo: O doente está centrado em si mesmo, no seu mundo interior, entregando-se, pouco a pouco, ao seu mundo irreal. Acredita nas suas convicções e acaba por se afastar da realidade.
  • Neologismo: o doente cria novas palavras ou dá um sentido diferente às que existem. 
  • Negação e rejeição: Mecanismo de defesa para conseguir negar a realidade externa 
  • Alienação: alucinações e delírios que dificultam o contacto com a realidade
  • Distúrbios no pensamento: Pensamentos desordenados
  • Discurso desorganizado, pobre e desconectado
  • Embotamento afetivo: diminuição da capacidade de expressar emoções e sentimentos. A pessoa não manifesta sentimentos de tristeza, alegria, raiva ou dor 
  • Dissociação da vida psíquica: Desconexão entre os pensamentos, emoções e memórias
  • Alteração da capacidade de simbolização (dificuldade de compreender significado de símbolos)
  • Comportamento bizarro

É comum o doente esquizofrénico sofrer vários episódios psicóticos durante a sua vida. Nesses períodos muitas das actividades diárias são afetadas incluindo o trabalho, relacionamento, estudos, vida familiar.  É fundamental o acompanhamento e tratamento adequado com vista a diminuir o impacto da doença na vida do doente e sua família.

Diferenças entre esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno esquizoafetivo

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A esquizofrenia é, como já referido, uma doença mental, psicótica onde estão presentes as alucinações, delírios, desorganização do pensamento e discurso, comportamento motor grosseiramente desorganizado ou anormal (incluindo a catatonia) e sintomas negativos. 

No transtorno esquizoafetivo dá-se a perda de contacto com a  realidade característico da esquizofrenia mas também um transtorno afetivo. São observáveis dois ou mais sintomas da esquizofrenia mas também sintomas de humor significativos (sintomas depressivos ou maníacos). 

Distingue-se da esquizofrenia quando se dá um ou mais que um episódio de sintomas depressivos ou maníacos. O transtorno esquizoafetivo tem um melhor prognóstico que a esquizofrenia mas pior em relação aos transtornos de humor.

O transtorno bipolar, também conhecida por doença maníaco-depressiva, é um transtorno de humor caracterizado por variações extremas do humor, que variam entre episódios de depressão e euforia (mania). 

A diferença entre a esquizofrenia e o transtorno bipolar é que o doente com o transtorno bipolar apresentam melhor evolução, com o tratamento dá-se a remissão total dos sintomas e o doente consegue retornar às suas atividades diárias sem apresentar sintomas negativos característicos da esquizofrenia. No caso da esquizofrenia o doente mantém sintomas residuais, mesmo com o tratamento.

A crise aguda de um doente com transtorno bipolar pode ser semelhante ao surto psicótico de um doente com esquizofrenia uma vez que podem surgir delírios e alucinações em ambas as patologias, o que torna difícil o diagnóstico nesta fase da doença.

Esquizofrenia Sintomas

fases sinais e sintomas da esquizofrenia

Sintomas da esquizofrenia podem ser divididos em  fases:

  • Fase prodrómica  – Primeiros sintomas mas sem fase aguda. Sintomas inespecíficos e variados que variam de pessoa para pessoa
  • Fase Aguda – Presença de sintomas denominados por positivos
  • Fase Residual – desaparecimento dos sintomas positivos ou a existência destes é pouco intensa (residual).

Primeiros Sintomas

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Os sintomas precoces, também conhecidos como sintomas prodrómicos (precursor) são os que surgem meses ou anos antes do primeiro surto. Contudo, são sintomas não específico da doença, ou seja, são sintomas que a pessoa pode apresentar relacionados com factores que não a esquizofrenia.

Pode surgir:

  • Isolamento social
  • Alterações do padrão do sono ( hipersonolência ou insónias)
  • Dificuldades de concentração
  • Sintomas depressivos
  • Hiperreatividade à crítica
  • entre outros

São sinais precoces de alarme para a esquizofrenia:

  • Acentuação do isolamento social
  • Negligência dos hábitos de higiene
  • Ouvir ou ver algo que não é real
  • Sensação constante de perseguição ou que está a ser observado
  • Posicionamentos pouco adequados da postura corporal
  • Alterações injustificadas da fala ou escrita  
  • Deterioração do desempenho académico ou profissional, em que existe incapacidade de concentração
  • Indiferença a situações familiares ou sociais importantes
  • Irritabilidade com familiares próximos
  • Comportamentos estranhos e/ou inadequados
  • Incapacidade de dormir

É fundamental a procura de um médico caso exista a presença de mais de dois sintomas por mais de duas semanas.

Sintomas positivos e negativos da esquizofrenia

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De forma geral, os sintomas são agrupados em duas grandes categorias: Os sintomas positivos e os sintomas negativos.

Os sintomas positivos identificam as alterações no comportamento ou pensamento e estão directamente relacionados com o surto psicótico (estado mental agudo caracterizado por grave desorganização psíquica e fenómenos como a alucinação e delírio que leva à perda da capacidade crítica da realidade). 

Os sintomas negativos estão associados a um empobrecimento da personalidade do doente e das relações sociais do mesmo, uma vez que está ausente o comportamento normal do indivíduo saudável.

Podem ocorrer somente na fase aguda da doença mas permanecem mais tempo do  que os sintomas positivos, pelo que têm um peso maior na alteração dos padrões de vida do doente. São também chamados por sintomas deficitários pois estão relacionado com deficiências da função mental como a afetividade e vontade.

Sintomas Positivos da esquizofrenia

sintomas positivos da esquizofrenia
Alucinações

A alucinação é ouvir, ver ou sentir algo que não existe. Apesar de poder afectar os 5 sentidos (audição, visão, tacto, paladar e olfacto) é a alucinação auditiva a mais comum na esquizofrenia. É frequente o doente ouvir vozes que falam com o doente ou que dialogam entre si, ordenando o doente a fazer algo ou insultando-o.

Podem existir alucinações visuais em que o doente vê a imagem ou vulto de uma pessoa com quem pode estabelecer uma conversação. As tácteis em que podem sentir um bicho a percorrer o corpo ou apanhar choque elétricos, entre outros casos.

As alucinações, assim como o delírio, domina a consciência e influencia o comportamento do doente, não tendo (o doente) qualquer controle sobre estas.

Delírio

Segundo o DSM-V, o delírio é uma crença fixa do doente que é impossível de alterar. O doente acredita genuinamente que as suas crenças são verdadeiras, mesmo quando confrontados com evidências que mostram o contrário. Desta forma, torna-se difícil a separação entre as experiências reais e irreais.

Este sintoma é muito comum na esquizofrenia, e está presente em 90% dos doentes.

Existem delírios de vários tipos, como por exemplo os persecutórios (doente acredita que está a ser perseguido ou assediado por uma pessoa ou organização), os delírios de grandeza (doente acredita que é famoso, rico ou muito inteligente), de referência (doente acredita que algum gesto ou comentário em ambiente social são-lhes dirigidos), entre outros.

O delírio, tal como a alucinação, não é uma criação intencional do doente. Na esquizofrenia, o delírio surge não associado a fatores psicológicos ou relacionais. Surge espontaneamente e domina a consciência do doente. Pode gerar sentimentos de medo, ansiedade ou stress no doente uma vez que a experiência é vista como real, ao ponto de duvidar da realidade e das pessoa que o rodeiam.

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Desorganização do pensamento e discurso

Segundo a DSM-V, a desorganização do pensamento na esquizofrenia revela-se através do discurso. Surge, com frequência, frases incoerentes, palavras inexistentes, perde-se a capacidade de associar ideias ou de mudar de um tema para outro.

Comportamento Motor Grosseiramente Desorganizado ou Anormal 

Para a DSM-V, as alterações de comportamento podem ser observadas quando se pretende realizar uma tarefa para alcançar um objectivo. Desta forma,  existe uma dificuldade acrescida na realização de tarefas, incluindo as rotinas quotidianas. 

As alterações de comportamento podem variar entre:

Agressividade ou agitação 

Pode ocorrer por aumento do stress uma vez que o doente se torna uma pessoa mais irritável

Comportamento infantil

Apresenta um comportamento infantilizado e desadequado à idade

Comportamento catatónico

Neste tipo de comportamento o doente diminui a sua reação ao ambiente que o rodeia. Pode passar por recusar seguir instruções, postura rígida em posições inapropriadas durante horas, mutismo (não falar),  estupor (inatividade motora), movimentos estereotipados (como fazer caretas ou olhar fixamente), entre outros.

Sintomas negativos

sintomas negativos da esquizofrenia

Segundo o DSM-V, estes sintomas estão associados a grande morbilidade relacionada com a esquizofrenia, sendo a expressão emocional diminuída e a avolia os sintomas mas proeminentes nesta doença.

Diminuição da expressão emocional 

A diminuição da expressão emocional inclui a redução na expressão de emoções no rosto (fácies inexpressivo), no contacto visual, movimentos das mãos e cabeça, entoação da voz (tom monocórdico e aplanado), ficando (muitas vezes) o discurso isento de emoções.

Avolia

Diminuição da motivação e de falta de iniciativa e vontade. Estes doentes podem passar muitas horas na mesma posição e é frequente não mostrarem interesse para com actividades profissionais ou sociais.

Alogia

Diminuição de capacidade de discursar ou conversar, em que o doente utiliza o mínimo de palavras para se expressar, resumindo-se muitas vezes a palavras como “sim” ou “não”. Está associado à doença psiquiátrica mas também à falta de vontade do doente comunicar.

Anedonia

Representa a perda de interesse e prazer resultante da realização de actividades positivas como a socialização ou degradação da lembrança do prazer anteriormente vivido. A anedonia tem grande impacto na qualidade de vida do doente pois provoca uma sensação de desconexão com o mundo que o rodeia.

Isolamento social / Depressão

Falta de socialização está relacionada com o aparente desinteresse nas relações interpessoais ou sociais e pode estar associado à avolia. Existe uma ausência ou diminuição de motivação para as atividades diárias e isolamento social. O doente passa muito tempo sozinho e não mostra  interesse em ver outras pessoas.

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Apatia

Falta de vontade para alcançar objectivos

Cognitivos

Em muitos dos casos de esquizofrenia os sintomas cognitivos são leves mas, existem situações em que o doente sofre uma alteração cognitiva, como na memória, aprendizagem e concentração.

Os sintomas que podem surgir são:

  • Dificuldade em entender a informação e usar essa mesma informação para tomar uma decisão
  • Dificuldade de concentração e de manter o foco. Pode existir dificuldade em manter a atenção nas atividades do dia a dia.
  • Alteração da memória o que pode afectar a aprendizagem
  • Dificuldade em tomar decisões, uma vez que existe comprometimento do raciocínio e incompreensão do que está a ser avaliado.
Neurológicos

Podem surgir sintomas neurológicos como:

  • Tiques faciais
  • Piscar de olhos mais frequentes
  • Movimentos bruscos e descoordenados ou movimentos mais desajeitados
  • Desorientação no espaço onde se encontra
Comportamentais

No contexto da multiplicidade de sintomas descritos anteriormente podem surgir sintomas como:

  • Suicídio, com maior incidência na fase aguda e em situações de doença crónica. Este sintoma é comum na esquizofrenia, em particular em adultos jovens do sexo masculino. Cerca de 10% destes doentes morrem por suicídio.
  • Agressividade: associados a surtos psicóticos
  • Actividades solitárias: muitas vezes é observada conversação ou risos associados a diálogos que o doente mantém com as vozes irreais que ouve
  • É comum surgirem manias e hábitos repetitivos na alimentação ou higiene, semelhantes a doentes com Transtornos Obsessivos Compulsivos.

Pretende-se ressaltar que, tendo em consideração a facilidade de reconhecimento e identificação dos sintomas presentes na esquizofrenia, estes podem estar presentes numa pessoa sem que esta seja  considerada esquizofrénica. O diagnóstico deverá ser feito por um médico especialista em psiquiatria (psiquiatra).

Tipos de esquizofrenia

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A esquizofrenia é uma das doenças mentais psiquiátricas mais estudadas e desafiantes, tendo em conta o enorme leque de sintomas associados à doença, assim como a diversidade de características clínicas encontradas de doente para doente. Esta heterogeneidade, conduziu à criação de subtipos de esquizofrenia pelo que surgem 5 grupos de esquizofrenia: Simples, paranoide, catatónia e hebefrénica e indiferenciada.

Contudo, na última edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM- V) esta divisão (por subgrupos) deixou de estar descrita, uma vez que é frequente os sintomas e quadros clínicos dos subtipos surgirem associados ou alterarem ao longo da vida do doente.  Por outro lado, estudos mostraram que a evolução e tratamentos de cada subtipo é semelhante.

Contudo, esta eliminação de subgrupos é contestado por muitos outros autores que defendem a permanência desta classificação para que se possa definir melhor a sintomatologia de cada tipo de esquizofrenia.

Esquizofrenia Paranóide

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A esquizofrenia paranóide ou paranóica é o tipo de esquizofrenia mais comum, de diagnóstico mais fácil e o que melhor responde ao tratamento.

Existe o predomínio de alucinações (principalmente auditivas) e delírios, com ideias delirantes. É frequente o doente ter a convicção que está a ser perseguido por outra pessoa ou espíritos.

Neste subtipo as funções cognitivas e afectos estão relativamente preservados. São doentes tipicamente reservados, desconfiados, podendo mostrar comportamentos agressivos. O isolamento social está frequentemente associado a este tipo de esquizofrenia e a discurso confuso.

Esquizofrenia Simples

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A esquizofrenia simples apresenta transtornos de personalidade que induz ao isolamento social e indiferença/insensibilidade no que diz respeito a afetos. O doente prefere ficar isolado e é disperso no que diz respeito aos acontecimentos do dia a dia, pelo que acaba por perder os amigos e contacto com familiares.

É comum que haja predominância de sintomas negativos e, como tal, uma evolução mais rápida da doença. É comum não existirem muitos surtos agudos da doença.

Esquizofrenia Desorganizada ou Hebefrénica

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Na esquizofrenia desorganizada ou Hebefrénica é caracterizada por perturbações dos afetos. Predomina um discurso e pensamento desorganizado, sem nexo, com um comportamento (e discurso) considerado “infantil” e com respostas emocionais desproporcionais à situação.

Os doentes têm dificuldade de concentração e raciocínio. Apresentam com frequência emoções desadequadas (exemplo risos que não estão associados ao contexto do discurso) ou mesmo falta de emoções.

Há uma tendência para o isolamento social e para rápido desenvolvimento de sintomas negativos, em particularmente o embotamento do afeto e a perda da volição (perda da capacidade da pessoa decidir se pretende fazer ou não uma actividade).

As ideias delirantes podem surgir mas não são sistemáticas ou organizadas. O contacto com a realidade é fraca. Pode surgir irritabilidade ou mesmo agressividade e descuido com a aparência física.

Esquizofrenia Catatónica

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Este tipo de esquizofrenia é o menos frequente. O doente  pode mostra um quadro de apatia, pode apresentar alterações psicomotoras que tornem impossível ou difícil a sua  movimentação (resistente passiva e activa a mudanças de posição). Pode passar horas na mesma posição e apresenta alterações posturais bizarras que são mantidas por longos períodos.

O mesmo se passa com a fala, o doente pode deixar de falar (mutismo). Pode apresentar maneirismos (movimentos corporais repetitivo, exagerados ou despropositados), estereotipias (movimentos repetitivos, estereotipados como  abanar o corpo continuamente) ou até imitação dos movimentos e palavras/frases ditas por terceiros.

É frequente a presença de negativismo extremo, ou seja, uma extrema resistência ( sem motivo aparente) a uma instrução.

Esquizofrenia Residual

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Neste tipo de esquizofrenia está presente em doentes com a doença há muitos anos e onde já existe cronicidade. As sequelas da doença já não estão associadas a períodos de agudização. Existe a predominância de sintomatologia negativa e pode estar presente durante vários anos, com ou sem crises agudas.

Na esquizofrenia residual existem alterações de comportamento graves quer a nível emocional como no relacionamento social. 

Predominam comportamentos excêntricos, isolamento social, emoções pouco apropriadas e pensamento sem lógica, discurso desorganizado.

Ausência de delirios e alucinações proeminentes.

Esquizofrenia Indiferenciada

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Este subtipo de esquizofrenia está reservada a doentes que não se enquadram inteiramente em nenhum dos outros tipos de esquizofrenia ou que apresentam sintomas de mais de um subtipo (sem que existe predominância que um deles).

Esquizofrenia em jovens: Sintomas

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A esquizofrenia é rara em crianças. Geralmente surge da adolescência e tem o seu pico de incidência entre os 20-30 anos de idade do doente.

Denomina-se de esquizofrenia de início precoce quando a doença surge entre os 13-17 anos e esquizofrenia muito precoce quando a doença surge antes dos 13 anos.

O diagnóstico é semelhante ao do adulto. Contudo, existe sempre comprometimento social e académico na criança e adolescente.

Se não for tratada de forma adequada a esquizofrenia na infância pode resultar em graves problemas emocionais, comportamentais e de saúde, tais como tentativa de suicídio, transtornos de ansiedade ou pânico, depressão, uso de drogas e consumo excessivo de álcool, conflitos familiares, entre outras situações.

Esquizofrenia na Adolescência Sintomas

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Pode surgir alterações no padrão do sono, irritabilidade, oscilações de humor, quebra do desempenho escolar, afastamento de amigos e familiares (isolamento social) e falta de motivação. 

Também é frequente o recurso a drogas e álcool por parte do adolescente assim como recusa na realização de actividades diárias como tomar banho ou vestir-se.

Contudo, a maior parte estas alterações são frequentes na adolescência dificultando a separação entre o que é comportamento normal (na adolescência) do que é sintoma de esquizofrenia.

Assim como nos adultos, podem surgir delírios, alucinações e paranóia ( sensação de que alguém o quer prejudicar). Existe uma maior probabilidade para alucinações em comparação com o adulto e uma menor probabilidade de delírios (em relação ao adulto).

Também são sinais de alarme caso o adolescente confunda a fantasia com a realidade (exemplo:confunde a programa televisivo ou sonho com a realidade),  se apresentar ideias e comportamentos estranhos e desadequados ou comportamentos suicidas.

Mais uma vez  se salienta que, por si só, os sintomas apresentados não são indicadores de que o adolescente tem esquizofrenia mas implicam uma observação médica do adolescente, para despiste desta ou outra situação patológica.

Sintomas de esquizofrenia infantil

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A esquizofrenia em crianças tem, habitualmente, um início gradual e lento e é mais grave do que a esquizofrenia no adolescente ou adulto.

É frequente confundir uma esquizofrenia com autismo na criança pequena e somente com o crescimento da criança, em particular a partir dos 5 anos, é que se consegue um diagnóstico mais concreto.

Uma criança habitualmente sociável pode, sem motivo aparente, adquirir um comportamento mais reservado, retraído e tímido. Podem surgir medos e ideias estranhas. Muitas vezes ficam obstinados pelos pais. Podem surgir paranoias, delírios e alucinações.

Também podem surgir alterações na linguagem, início tardio do caminhar, movimentos motores não habituais como o balançar do corpo de forma repetida e atraso do desenvolvimento em relação a outras crianças da mesma idade.

Também nesta idade é comum confundirem a realidade com a  fantasia (pensar que um sonho é a realidade) e ter um discurso e comportamento estranho.

Assim como nos adolescentes, os sintomas e sinais descritos não são sinónimos do diagnóstico de esquizofrenia mas implicam uma observação urgente por parte de um médico psiquiatra (pedopsiquiatra).

Causas

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A etiologia da esquizofrenia  é desconhecida. Contudo, muitos investigadores apontam para que causas genéticas, ambientais e virais (e suas interacções) estejam na origem desta doença. Por outras palavras: a interação entre a genética (genes) e aspetos do ambiente da pessoa são necessárias para que a esquizofrenia se desenvolva.

Factores ambientais

  • Complicações durante a gravidez – Depressão materna durante a gestação, desnutrição materna, gravidez indesejada, virose durante o primeiro trimestre de gravidez, crescimento anormal do feto, entre outras
  • Complicações no nascimento – nascimentos traumáticos ou falta de interação mãe-filho
  • Traumas (psicológicos, sexuais e físicos) infantis, experiências psicológicas negativas na criança
  • Stress
  • Abuso de substâncias químicas em particular o uso de cannabis ou alucinogénico parecem  ser fatores desencadeadores para a esquizofrenia
  • Infecções virais

Factores genéticos

É evidente que existe uma maior probabilidade de uma pessoa desenvolver a doença se a mãe ou pai tiverem o diagnóstico de esquizofrenia. Contudo, não existem provas científicas da transmissão genética da doença. Cientistas acreditam que muitos genes podem aumentar o risco de esquizofrenia. Contudo, ainda não foi identificado um gene que cause a desordem por si só. Actualmente, não é possível utilizar a informação genética para prever o desenvolvimento da doença.

Alguns estudos atuais apontam para alterações bioquímicas no cérebro em que a hereditariedade pode ter um papel importante. Apontam para que um desequilíbrio entre as reações químicas do cérebro envolvendo os neurotransmissores são desempenhar um papel importante no desenvolvimento da doença.

A Esquizofrenia é Hereditária?

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Se houver história de esquizofrenia na família existe uma maior probabilidade da pessoa desenvolver a doença, mas a possibilidade é baixa (cerca de 25% de possibilidade).

Mas se a esquizofrenia for desencadeada por fatores ambientais ou outras razões que não genéticas (exemplo: traumáticas), não existe risco de hereditariedade.

Fatores de Risco

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Como já referido, sabe-se que existem fatores que são desencadeantes da esquizofrenia.

  • História familiar de esquizofrenia.
  • Consumo de cannabis, alucinógenos e tabaco
  • Exposição a vírus
  • Pai com idade avançada
  • Má nutrição intra-uterina
  • Parto complicado em que houve problemas de falta de oxigénio a nível cerebral

Diagnóstico Exames

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Apesar de não existirem exames capazes de detectar a esquizofrenia, o diagnóstico da doença é feita por um médico psiquiatra ou psicólogo. Este diagnóstico é feito perante a observação do doente e recolha de informações clínicas com o doente, familiares e amigos que ajudam a detectar sintomas e manifestações da doença.

A confirmação do diagnóstico dá-se quando existem sintomas que causam a deterioração significativo da actividades produtivas (trabalhar, estudar e relacionar-se com o outro) e de rotina diária  assim como a presença de mais de 2 sintomas característicos na esquizofrenia (alucinações, delírio, fala e comportamento desorganizado e sintomas negativo)

Por vezes, o médico solicita outros exames mas apenas com a finalidade de excluir doenças que possam apresentar sintomas semelhantes à esquizofrenia. Esses sintomas podem surgir por doenças que afectam o cérebro, como por exemplo:

Esquizofrenia Teste Online

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Existem vários testes online que um indivíduo pode fazer de forma a poder compreender se tem um padrão de esquizofrenia ou predisposição à doença. 

Exemplo é o teste conhecido como teste da máscara Oca.

Neste tipo de teste é mostrada (em vídeo) uma máscara girando durante cerca de 2 minutos. Segundo os especialistas que desenvolveram o teste, a finalidade é saber se a pessoa vê a parte de trás da máscara ou vê 2 máscaras convexas comuns.

Isto porque (segundo os cientistas alemães que criaram este teste) os doentes esquizofrénicos conseguem distinguir 2 tipos de imagens enquanto que a pessoa sem doença são enganadas e vê 2 máscaras a girar.

Contudo, este tipo de testes não fazem o diagnóstico da doença mostrando apenas se existe algum indício de doença.

Tratamento

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Embora não exista cura para a doença, o indivíduo pode levar uma vida produtiva e aceitável com o tratamento adequado. A esquizofrenia evolui entre períodos de exacerbação e remissão dos sintomas pelo que o tratamento deve ser adequado e respeitado pelo doente e família, tentando ao máximo o reaparecimento de sintomas.

A abordagem de tratamento passa pela medicação e reabilitação do doente (como a psicoterapia, psicólogo, fisioterapia e acompanhamento social e de enfermagem). Para que o doente tenha uma vida mais tranquila é fundamental o acompanhamento por parte de psicólogo, psiquiatra e o cumprimento rigoroso da medicação prescrita.

Sendo assim, o tratamento tem como finalidade eliminar ou minimizar os sintomas, prevenindo recaídas e reduzindo ao máximo a necessidade de hospitalização. Desta forma, pretende aliviar sintomas de forma a que estes não tenham um peso negativo na vida do doente e que este possa manter ou retomar as actividades diárias e sociais promovendo uma boa qualidade de vida e autonomia ao doente.

Medicamentos

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O tratamento medicamentoso baseia-se em antipsicóticos. Este tipo de medicação dividem-se em 2 grandes grupos no tratamento da esquizofrenia:

  • Antipsicóticos típicos ou convencionais (neurolépticos) – utilizados no controle de sintomas positivos como as alucinações, delírios, entre outros. Temos o exemplo da Cloropromazina, Haloperidol, Mesoridazina, entre outros.
  • Antipsicóticos atípicos ou de nova geração – Medicamentos mais recentes no mercado, são utilizados no tratamento dos sintomas positivos e negativos da esquizofrenia. Têm menos efeitos colaterais que os antipsicóticos convencionais. É o exemplo do Aripiprazol, Cariprazina, Asenapina, entre outros. 

A medicação deve ser sempre prescrita por um médico psiquiatra e rigorosamente cumprida pelo doente. Podem ser administrados via oral ou por injeções, que são particularmente úteis em doentes resistentes à medicação.

Os efeitos colaterais desta medicação são marcados, em particular nos antipsicóticos típicos. Pode passar por sonolência, tonturas, obstipação, boca seca, visão desfocada. Outros sintomas mais graves  que podem surgir são sintomas neurológicos como a acatísia (necessidade de se movimentar constantemente em que o doente é incapaz de estar sentado/parado), distonias (contrações musculares involuntárias, espasmos), rigidez muscular semelhante aos doentes de Parkinson.

Doença de Parkinson: Sintomas, Causas e Tratamentos

A maior parte dos efeitos colaterais são controláveis com medicação pelo que é fundamental o contacto continuado entre doente e psiquiatra para, sempre que necessário, alterar a medicação (ou sua dosagem) ou prescrever medicação para controle de efeitos colaterais, permitindo uma melhor qualidade de vida ao doente.

Na esquizofrenia o uso prolongado de antipsicóticos (se possível em pequenas doses) pode prevenir a agudização da doença, melhorando o seu prognóstico. Quando não tratada, a esquizofrenia pode evoluir para um deterioramento cognitivo do doente, com perda de capacidades intelectuais, situação que geralmente é irreversível.

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É fundamental o controle medicamentoso da doença para evitar recaídas (fases agudas da doença). Entre episódios psicóticos o doente pode levar uma vida normal, sem que os sintomas interfiram na sua vida de forma significativa. A continuidade do tratamento é fundamental, contudo, existe uma elevada taxa de abandono da medicação pelo doente esquizofrénico. 

Muitas vezes opta por não tomar a medicação como foi prescrita pelo médico, aumentando (em ambas as situações) a hipótese de recaída. Desta forma, é essencial  que o doente concorde com o tratamento proposto e, sempre que necessário, deve ser apoiado/supervisionado na toma permitindo o cumprimento do plano de tratamento. 

Este envolvimento do doente e cuidador que o acompanha deve estar relacionado com a toma correcta e atempada da medicação, comparência consultas e outros tratamentos não farmacológicos que sejam fundamentais na sua reabilitação.

Actualmente, existem novas abordagens medicamentosas em estudo para a esquizofrenia mas que ainda se encontram em estudo.

É fundamental ter a consciência que a medicação é apenas uma parte do tratamento. Outras técnicas não-farmacológicas são fundamentais no tratamento da esquizofrenia, (como a psicoterapia, terapia ocupacional, fisioterapia) pois  é fundamental uma reabilitação psicossocial procurando minimizar os sintomas negativos e cognitivos da doença. A reabilitação deve ser adequada à necessidades de cada doente.

Psicoterapia

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Os tratamentos psicossociais também conhecidos por reabilitação psicossocial pretende promover a autonomia do doente e a capacidade de socialização e relacionamento com outras pessoas.

Quando diagnosticada esquizofrenia é fundamental o acompanhamento por psicólogos auxiliam o doente a identificar, refletir e lidar com sentimentos, medos, conflitos, dificuldades e sofrimentos psicológicos, possibilitando um auto-conhecimento do doente assim como da sua relação com o mundo que o rodeia. No caso da esquizofrenia existem estudos que apontam a psicoterapia como importante para um melhor prognóstico na doença.

A psicoterapia  pode passar por sessões individuais ou em grupo, terapia familiar, leitura, teatro, música, trabalhos manuais, entre outras.

Segundo Diana Rodrigues (2012), a terapia cognitiva reduziu significativamente a probabilidade de progressão para psicose e mesmo o uso de psicóticos. Técnicas como a Terapia Cognitivo-Comportamental, Treino Metacognitivo e Terapia de Remediação Cognitiva têm mostrado resultados positivos com doentes esquizofrénicos.

A terapia familiar é de extrema importância pelo impacto que a esquizofrenia tem no ambiente familiar.

Alimentação

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Segundo o estudo apresentado por Diana Rodrigues (2012), a suplementação com ácidos gordos ómega-3 (em particular ácidos eicosapentanóico) tem obtido evidências na prevenção da progressão para estados psicóticos e na redução dos sintomas positivos em doentes  crónicos (nomeadamente na dosagem de 2g/dia).

Outros estudos indicam que a suplementação com vitaminas , em particular vitamina B e C, tem efeitos positivos na esquizofrenia, inclusivo no encurtamento das fases agudas da doença.

Estudos ainda relacionados com a alimentação apontam para o benefício de uma dieta isenta de glúten para o controle da doença. Esta ideia é defendida por uma nova linhagem da medicina  que surgiu nos Estados Unidos: Medicina Ecológica.

Fisioterapia

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A intervenção do fisioterapeuta é fundamental na reabilitação psicossocial do doente.

Soraya Pedrão e Adriana Miasso (2012), mostraram no seu estudo que a fisioterapia, através da minimização dos comprometimentos corporais e tratamento de situações associadas à patologia,  promove benefícios físicos psíquicos, favorecendo as relações de amizade, possibilitando a reabilitação psicossocial.

A presença do fisioterapeuta é importante para quebrar o isolamento social e estimular o contacto com o mundo que o rodeia. A importância do toque é fundamental na diminuição de ansiedade, stress ou estados depressivos no doente e promove uma sensação de bem estar.

Os tratamentos são adequados a cada doente e podem passar por estimulação muscular e multissensorial, reeducação postural, massagens, planos de exercícios físicos, entre outras.

Cuidados de Enfermagem

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A enfermagem tem um papel determinante no acompanhamento do doente esquizofrénico nas suas diferentes fases de evolução, controle do cumprimento da terapêutica, administração de medicamentos e de articulação com a família.

Uma vez que a abordagem do doente esquizofrénico deve ser multidisciplinar, a enfermagem tem um papel fundamental  na articulação e (se necessário) encaminhamento para outras áreas da saúde que sejam pertinentes para o doente.

É essencial a relação com a família, sendo o enfermeiro um elo de proximidade, capaz de compreender e explicar aos familiares as alterações que vão surgindo com o evoluir da doença.

Prognóstico: vivendo com a esquizofrenia

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O prognóstico da doença varia de doente para doente. Existem doentes que desenvolvem somente uma crise e que retomam a sua vida normal. Mas há outros doentes em que o percurso de doença é mais complicado e não conseguem retomar uma vida autónoma sem que exista supervisão e controlo de cuidadores.  

As situações de agudização da doença, como já descrito neste artigo, compromete a possibilidade de recuperação a longo prazo, pois vai causando danos, muitas das vezes, irrecuperáveis. Assim, para uma evolução mais positiva da doença, é fundamental o cumprimento do tratamento e consultas regulares para prevenir recaídas.

Existem várias personalidades famosas a quem foi diagnosticado esquizofrenia, tendo conseguido seguir uma vida produtiva e de qualidade. Temos o caso de John Forbes Nash (1928-2015), prémio Nobel em ciências económicas em 1944, em que a sua história foi abordada no filme Uma Mente Brilhante. Outro caso é Roger Barrett (1946-2006), um dos fundadores dos Pink Floyd.

O doente com esquizofrenia deve ser motivado à autonomia e autocuidado, por muito difícil que isso possa ser para a pessoa. Por isso, é fundamental a adoção de um estilo de vida saudável onde a prática de exercício físico é de extrema importância (se autorizada pelo médico). É promotor do contacto com outras pessoas (se for praticado em grupo) e promove a concentração e diminui ansiedade e stress, assim como pode melhorar o humor do doente.

conviver com doentes esquizofrénicos

Apesar de poder haver limitações cognitivas (como a memória e concentração), devem ser estabelecidos objectivos profissionais e, no caso do adolescente/criança, a estudar. Actualmente, com os novos medicamentos existentes (em conjunto com terapêuticas não medicamentosas) é possível trabalhar e estudar, existindo doentes que conseguem alcançar grandes resultados.

O doente com esquizofrenia deve estar atento à informação que familiares e amigos lhe fornecem sobre o seu comportamento pois, na maior parte das situações, são estes que detectam os sintomas no doente. Quanto mais cedo se tratam os sintomas, menor será o seu impacto  na vida do doente.

É fundamental que o tratamento seja discutido entre médico, doente e família, para que haja uma melhor adesão ao mesmo e evitando o seu abandono. É importante que o doente tenha a possibilidade de fazer perguntas, esclarecer dúvidas e expor a opinião sobre o tratamento a decorrer ou proposto.

É positivo que o doente recorra a grupo de apoio apropriados, nos quais pode participar de forma individual ou na companhia de amigos e familiares próximos. 

O mais importante é ter uma vida feliz e realizada, com o apoio fundamental dos familiares e amigos.

Como lidar com a esquizofrenia (familiares e amigos)?

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Se a esquizofrenia é uma doença complicada para o doente, o mesmo se passa para com os familiares e amigos mais chegados. Muitas das vezes, é difícil lidar com a doença,  sendo o apoio da família e amigos fundamental para uma evolução positiva da doença e evitar recaídas.

Assim é aconselhado para os familiares e amigos:

  • Fornecer apoio emocional ao doente, encorajando-o na toma da medicação, seguimento em consultas, influenciando positivamente a recuperação do doente.
  • Supervisionar a toma da medicação. Em particular, após alta hospitalar ou reajuste de medicação pelo médico. É importante reportar ao médico efeitos colaterais que possam surgir de forma a adequar a medicação
  • Acompanhar a consultas. As consultas devem ser acompanhadas pois muitas vezes o doente não consegue identificar os sintomas que apresenta. Para tal o familiar ou amigo deve ter conhecimentos sobre a  doença, de forma a conseguir detectar sintomas de alarme.
  • Estar informado sobre a doença, conhecer os sinais de alarme e sintomas que possam indiciar uma recaída. 
  • Saber como comunicar com o doente. Os familiares e amigos devem ter sempre uma abordagem positiva de diálogo. Em caso de delírios ou alucinações não devem contrariar as crenças ou delírios (pois estas são experiências muito reais para o doente) mas também não devem compactuar com estas.  Podem ser utilizadas frases chave como: “Não entendo/sinto a realidade como tu a vês”. “Vês a situação de uma maneira diferente da que eu vejo”.
  • Ajudar o doente a estabelecer objectivos na vida. Estes objectivos devem estar ajustados à situação clínica de cada doente.
  • Procurar ajuda em grupos de apoio que os acompanhe e aconselhe 
  • Ter paciência, calma e respeito pelo doente, o que não implica tolerar comportamentos agressivos ou inapropriados.
  • Estar atento a fatores que conduzem ao aparecimento de sintomas ou agravamento dos mesmos (exemplo: consumo de álcool)
  • Estar atento a sinais que possam levar a tentativa de suicídio.
  • Cuidar-se. A saúde dos familiares, amigos ou cuidadores do doente de esquizofrenia é muito importante. Assim, é fundamental que exista um período de relaxamento, diversão e distração para quem cuida.

Mitos da esquizofrenia

mitos sobre a esquizofrenia

Uma vez que o comportamento pode ser bizarro neste tipo de doentes, existe um conjunto de estigmas sociais, muitas vezes relacionados com a falta de informação e consequente marginalização do esquizofrénico.

  • O esquizofrénico não tem sentimentos. Sintoma como a diminuição da expressão emocional no rosto ou a dificuldade em demonstrar empatia, leva muitas vezes a uma inadequada interpretação da reação do doente. O doente tem sentimentos, mas não os consegue expressar da mesma maneira do que uma pessoa saudável.
  • O esquizofrénico é preguiçoso. A realização de cada tarefa é para o doente com esquizofrenia um verdadeiro desafio, não se trata de preguiça. A lentidão, falta de iniciativa e motivação, são características inerentes à doença.
  • O esquizofrénico é um deprimido. A depressão pode ser um sintoma associado à esquizofrenia mas não significam a mesma coisa. Um doente esquizofrénico pode não estar deprimido e uma pessoa com depressão não é esquizofrénico.
  • Os esquizofrénicos são violentos e podem ser perigosos. É pouco frequente um doente tornar-se violento mas, em presença de delírios e alucinações, podem adquirir um comportamento violento. Isto porque o delírio/alucinação é tão real para o doente que pode provocar-lhe ansiedade, medo e até pânico.
  • Os esquizofrénicos estão sempre com delírios e alucinações, mesmo quando medicados. As situações de agudização da doença apresentam sinais positivos como o delírio e alucinação. Uma vez controlada a fase aguda, estes sintomas deixam de estar presentes.  
  • A esquizofrenia é uma doença rara. Não é rara, estima-se que, ao longo da vida,  existe 1 caso em cada 100 pessoas
  • Os esquizofrénicos têm de estar sempre internados. Ao longo da vida poderá haver a necessidade de internamento. Contudo, esta hipótese diminui drasticamente se houver o cumprimento da terapêutica.
  • A medicação para a esquizofrenia é mais prejudicial que a doença. Apesar de ter efeitos colaterais marcados é fundamental para evitar recaídas (surtos psicóticos). Hoje em dia, existem novos medicamentos com efeitos colaterais menos marcados. 

O descendente de um esquizofrénico herdará a doença. Existe um risco acrescido para quem tem história de esquizofrenia na família, apesar de ser baixo. Contudo, a esquizofrenia está relacionada com fatores genéticos, virais e ambientais (como o stress), sendo a conjugação destes factores desencadeadores da doença.

Clínicas para esquizofrénicos

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Em situações de agudização da doença torna-se, muitas vezes, necessário o internamento do doente.

Existem vários hospitais psiquiátricos e Clínicas em Portugal a que o doente e família podem recorrer e é importante que o relacionamento entre instituição e doente/família seja mantido após alta clínica.

Deixamos alguns exemplos de clínicas em Portugal:

Quem tem esquizofrenia pode aposentar-se?

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A reforma por invalidez só é aplicável quando existe prova de incapacidade permanente para o trabalho.

No caso da esquizofrenia, será efetuada uma avaliação mental (por uma comissão), que tem em consideração a idade, condição física e as capacidades de trabalho que o doente ainda possui. Perante o grau de incapacidade atribuído o doente pode (ou não) aposentar-se por invalidez.

Esquizofrenia tem cura?

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A esquizofrenia não tem cura mas tem tratamento. Se o tratamento for cumprido pelo doente e adequado a este, as crises tendem a ser mais curtas e mais esporádicas. 

Como já referido neste artigo, a esquizofrenia é uma doença muito estudada pelo que existem vários estudos, testes e novos medicamentos em desenvolvimento. Segundo alguns autores, a terapia do futuro  consiste na administração de vitaminas, medicina ecológica e a terapia familiar aliadas à terapia medicamentosa. 

Existem estudos que mostram uma cura natural da doença mas, actualmente, sem suporte científico que o comprovem.

Conclusão

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A esquizofrenia, independentemente da idade do doente, deverá ter sempre uma abordagem multidisciplinar. Como doença crónica, com característica muito particulares a cada doente, o tratamento deverá ser medicamentoso e não medicamentoso, onde se inclui um abrangente leque de profissionais e terapias, com o objectivo de reabilitar o doente.

Novas terapêuticas e tratamentos estão actualmente em estudo, onde se inclui a importância de uma alimentação equilibrada e rica em vitaminas. Contudo, o cumprimento da medicação por parte do doente é determinante para não existirem agudizações da doença.

O papel da família e amigos é fundamental para o sucesso do tratamento destes doentes, pois são um pilar de suporte do doente numa evolução mais positiva da doença, melhorando a sua qualidade de vida.

Referências

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